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Filipinas: Igreja Católica contra os preservativos

Ia escrever aqui mesmo no blog uma coisa rápida sobre a reação da Igreja Católica nas Filipinas contra a distribuição de preservativos pelo governo do país, mas acabei fazendo algumas linhas a mais e postei no Amálgama. Vocês estão convidados a ler.

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Um ror de links

Hoje no Amálgama, André de Oliveira escreve sobre “A autoridade da Bíblia na tradição protestante“.

Ainda no Amálgama, por ocasião do dia das mulheres (parabéns atrasados àquelas que me leem), dois textos foram ao ar: um da jornalista Marli Gonçalves e um da Viviane Moreira, advogada.

Ainda por ocasião do dia as mulheres, o Milton tirou dos arquivos uma notícia que mostra a costumeira sensibilidade do Vaticano.

Ciência. O Why Evolution is True - blog de Jerry A. Coyne, professor de Ecologia e Evolução da Universidade de Chicago e autor do livro de mesmo nome do blog - indicou recentemente dois papers. Um, na Nature, traz indícios de que as células eucarióticas são muito mais antigas do que pensávamos: 3,2 bilhões de anos (os microfósseis mais antigos de que se tinha conhecimento datavam de 1,8 bilhão de anos atrás).

O outro, na Current Biology, é simplesmente fantástico, sobre o “suicídio altruísta” de formigas. O título é “Formigas moribundas abandonam seus formigueiros para morrer em isolamento social“. Escreve Coyne:

How did this evolve? If it is indeed an adaptation, the likely process involved kin selection, which is of course responsible for the evolution of every “altruistic” behavior in worker ants, who are sterile. Presumably those genes promoting nest-abandonment-when-ill would be favored because the copies of those genes in the dying ant’s reproducing kin (males and the queen) would have a better chance of surviving (and founding future nests).

Para ler os trabalhos na íntegra, você tem que comprar. Mas o próprio post do Coyne já dá importantes informações sobre ambos.

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Com a passagem do meu aniversário, a lista de desejos na Amazon deu uma desinchada, mas não se preocupem, eu já inchei novamente. Proceda na compra de qualquer exemplar usado e deixe o resto com os correios, quando eles não extraviam, costumam entregar em 1 mês. E aqui vai o plano pra quem me deve até 100 reais: me dê um livro e tenha sua dívida quitada. Não é sorteio! :-p

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Com a chegada do Dia das Mulheres, uma reflexão de Carl Sagan sobre o aborto

Ao contrário do que dizem nos púlpitos do Brasil, pode-se definir uma política sensata sobre o aborto, que reserve direito de decisão às mulheres até certo ponto, mas também estenda garantias ao feto a partir de certo período da gestação – é, afinal, o que diversos países já fizeram. Como Christopher Hitchens disse em Deus não é grande (ou em outro lugar), qualquer um de nós concordaria que um criminoso que espanque uma mulher grávida até a morte terá cometido um crime maior do que o criminoso que matou uma mulher que não estava grávida. Ou seja, a morte do feto faz a diferença. Mas, a partir dessa constatação, como fazemos para não cair na imoralidade e no jogo sujo dos nossos amigos da CNBB? Como não deixar o dogma do “direito à vida” congelar definitivamente o debate e a implementação de políticas mais sensatas?

Carl Sagan, em The dragons of Eden: Speculations on the evolution of human intelligence (1978; levou o Pulitzer de Não-Ficção), desenvolve um raciocínio interessante. Após decidir que não queremos encerrar as mulheres na idade das trevas, a marca para se permitir o aborto poderia se situar, segundo Sagan, aí entre o fim do primeiro trimestre de gravidez e o começo do segundo trimestre, que é quando o feto começa a desenvolver atividades no neocórtex (a camada de aparição mais recente na história evolutiva do cérebro, e que diferencia nós humanos e outros poucos animais da vasta maioria das outras formas de vida). Por esse critério, países como Alemanha, Dinamarca, Noruega e outros europeus, que permitem o aborto até a décima segunda semana, estariam com políticas bastante acertadas; e nações como o Reino Unido, que permite a interrupção de gravidezes de até seis meses por questões sociais, estariam cometendo um erro, embora não tão grave quanto àquelas dezenas de outros países (principalmente na África e na América Latina) que impõem enormes restrições ao aborto ou o vetam sob qualquer hipótese – não que com isso ele não seja feito, claro, mas ocorre clandestinamente, matando fetos (que vão para o limbo ou sabe-se lá para onde), mulheres (que vão para o inferno) e deixando com sensação de dever cumprido legisladores dogmáticos e hipócritas.

Segue então, em tradução livre, o que Sagan tem a dizer.

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(…) Em um extremo [do debate sobre o aborto] está a posição de que a mulher tem um direito inato de “controle sobre o próprio corpo”, que inclui, nos é dito, causar a morte de um feto a partir de uma variedade de argumentos, incluindo aversão psicológica e incapacidade econômica para criar uma criança. No outro extremo está a existência do “direito à vida”, a afirmação de que mesmo a matança de um zigoto, um óvulo fertilizado antes da primeira divisão embrionária, é um assassinato, porque o zigoto tem o “potencial” para se tornar um ser humano. (…)

Não há duvida de que abortos legalizados evitam a tragédia e o açougue que são os abortos ilegais e incompetentes de “fundo de quintal”, e que em uma civilização cuja continuidade está ameaçada pelo espectro do crescimento populacional incontrolado, abortos médicos amplamente disponíveis podem servir a uma importante necessidade social. Mas o infanticídio resolveria ambos os problemas e tem sido empregado amplamente por muitas comunidades humanas, incluindo segmentos da civilização clássica grega, que é tão constantemente lembrada como a antecedente cultural de nossa própria civilização. E o infanticídio é amplamente praticado hoje em dia: há muitas partes do mundo em que um em cada quatro bebês recém-nascidos não sobrevive ao primeiro ano de vida. Ainda assim, por nossas leis e morais, infanticídio é um assassinato além de qualquer argumento. Como um bebê prematuramente nascido no sétimo mês de gravidez não é significantemente diferente de um feto in utero no sétimo mês, deve-se seguir, me parece, que o aborto, pelo menos no último trimestre, é algo muito próximo de assassinato. A objeção de que o feto no terceiro trimestre ainda não está respirando parece falaciosa: é permitido cometer infanticídio após o nascimento se o cordão umbilical ainda não tiver sido cortado, ou se o bebê ainda não tiver tomado ar pela primeira vez? (…)

No lado oposto da discussão, o termo “direito à vida” é um excelente exemplo de “buzz word”, elaborado para inflamar ao invés de iluminar. Não há hoje na Terra direito à vida em qualquer sociedade , e nem houve em qualquer tempo passado (com umas poucas e raras exceções, como o jainismo na Índia). Nós criamos animais em fazendas para matá-los; destruímos florestas; poluímos rios e lagos até que nenhum peixe possa viver no local; caçamos cervos e alces por esporte, leopardos por sua pele, e baleias para ração de cachorros (…). Todas essas bestas e vegetais são tão vivas quanto nós. O que é protegido em muitas sociedades humanas não é vida, mas vida humana. E mesmo com essa proteção, travamos guerras “modernas” contra populações civis, com número de mortos tão grande que (a maioria de nós) temos medo de pensar seriamente sobre essa questão. (…)

Da mesma forma, o argumento sobre o “potencial” para se tornar humano me parece particularmente fraco. Qualquer óvulo ou esperma humano, sob circunstâncias apropriadas, tem o potencial para se tornar um ser humano. Ainda assim, a masturbação masculina e emissões noturnas são geralmente considerados atos naturais, e não causas para indiciamentos por assassinato. Em uma única ejaculação há esperma o bastante para a geração de centenas de milhões de seres humanos. Ademais, é possível que em um futuro não muito distante possamos clonar um ser humano inteiro a partir de uma única célula, retirada essencialmente de qualquer parte do corpo do doador. Se é assim, cada célula do meu corpo tem potencial para se tornar um ser humano, se preservada apropriadamente até o período em que uma tecnologia de clonagem prática esteja disponível. Estarei cometendo assassinato em massa se alfinetar meu dedo e perder uma gota de sangue?

Essas questões são claramente complexas. A solução deve envolver um entendimento entre um número de valores estimados mas conflitantes. A questão-chave prática é determinar quando um feto se torna humano. Isso, por sua vez, depende do que entendemos por humano. Certamente não é ter uma forma humana, porque um artefato de materiais orgânicos que se assemelhe a um ser humano mas construído para ser um artefato, certamente não seria considerado um ser humano. Da mesma forma, um ser extraterrestre inteligente que não parecesse com um ser humano, mas que tivesse conquistas éticas, intelectuais e artísticas maiores que as nossas próprias, certamente deveria se encaixar em nossas proibições contra assassinatos. Não é como parecemos o que especifica nossa humanidade, mas o que somos. A razão pela qual proibimos a matança de seres humanos deve ser por conta de alguma qualidade que os seres humanos possuem, uma qualidade que nós especialmente prezemos, que poucos ou nenhum outro organismo na Terra possua. Essa não pode ser a capacidade de sentir dor ou emoções profundas, porque isso certamente se estende a muitos dos animais que matamos gratuitamente.

Essa qualidade humana essencial, acredito, apenas pode ser a nossa inteligência. Se assim é, a santidade particular da vida humana pode ser identificada com o desenvolvimento e funcionamento do neocórtex. Não podemos exigir seu desenvolvimento completo, porque isso não ocorre até muitos anos após o nascimento. Mas talvez possamos estabelecer a transição para a humanidade no período em que as atividades no neocórtex começam, conforme determinado pelo eletroencefalograma do feto. Algumas conclusões sobre quando o cérebro assume um caráter distintamente humano emergem de simples observações embriológicas. Muito pouco tem sido feito nesse campo até o momento, e me parece que tais investigações devem assumir um papel preponderante na busca por um compromisso aceitável no debate sobre o aborto. Indubitavelmente haveriam variações de feto para feto em relação ao período inicial dos primeiros sinais do EEG neocortical, e deveria-se chegar conservadoramente a uma definição legal do começo de uma vida caracteristicamente humana – ou seja, tendendo para o feto mais jovem a exibir tal atividade. Talvez a transição ficaria pelo final do primeiro trimestre ou próxima do começo do segundo trimestre de gravidez. (Falando aqui sobre o que, numa sociedade racional, deveria ser proibido por lei: qualquer pessoa que sinta que o aborto de um feto mais jovem seja assassinato não ficaria sob qualquer obrigação legal para executar ou aceitar tal aborto.)

Mas uma aplicação consistente dessas ideias deve evitar o chauvinismo humano. Se exitem outros organismos que compartilham a inteligência de seres humanos em útero mas completamente desenvolvidos, deveríamos pelo menos oferecê-los a mesma proteção contra assassinato que estamos dispostos a estender a seres humanos no final de sua existência uterina. Como a evidência da inteligência em golfinhos, baleias e símios é agora no mínimo moderadamente convincente, qualquer postura moral consistente em relação ao aborto deveria, eu penso, incluir firmes restrições contra pelo menos a matança gratuita desses animais. (…)

Compre o livro usado na Estante Virtual (em português) ou na Amazon (inglês).

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Vaticano. Mas pode chamar de Las Vegas Strip

Escuta telefônica revelou que corista do Vaticano levantava fundos (ok, desculpem) para um empresário e assessor do papa, portador do título de “Gentil-Homem de Sua Santidade” - compre você também essa distinção e garanta jhá o direito de ajudar a carregar o caixão papal!.

O gentleman, Angelo Balducci, revelou ter preferência por homens “mais maduros, de 40 anos ou mais”, no que na opinião do Index deveria ser seguido por seus irmãos de casta católicos, que amiúde preferem homens abaixo de 15.

O corista, Ghinedu Ehiem, disse à imprensa que manteve relações sexuais com Angelo “durante cinco ou seis meses”, porque estava no duro. Atualmente, agenciava garanhões em troca de uns punhados de Euros anuais.

Anda pagando mal, o Vaticano.

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Bill Maher fala sobre religião

Esse vídeo foi upado há poucos dias no DailyMotion. São apenas 9 minutos e meio, a parte de um stand-up em que o Bill fala sobre religião. Comédia.

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Fala, leitor! + O terremoto no Haiti desestabilizou evangélicos no Brasil

Julio Cesar (do Senhor), comentou no post “Os haitianos e seus pactos e práticas satânicas“:

Cara eu tou com o Isaias salles, porque eu sou evangélico e com muito orgulho. Eu acredito em Deus e na sua onipotência e tolo é aquele que não acredita. Se Deus não existe, como você explica curas de pessoas que eu ví entrando em uma igreja (evangélica) em cima de uma maca hospitalar e sair andando, totalmente curado.
De um amigo meu que com 14 anos teve cânçer, e pessoas que estavam no mesmo estado que ele morreram, e ele não. Porque ele tinha pessoas que oravam por ele.
Eu seria um grande iguinorante se eu não acreditasse em toda a soberania de Deus.
Pessoas podem me chamar de bobo, mais eu tenho a certeza de que um dia eu irei morar no céu, e esses que me chamaram de bobo se não se converterem de sua iguinorância teram um infinito sofrimento no inferno, não porque Deus é mau, mais porque você nao deu ouvidos a sua palavra.
Deus te da o livre arbítrio, basta voce escolher:
Céu ou inferno eis a quetão!

Possíveis respostas:

- Claro. Deus é onipotente. E o terremoto no Haiti foi uma invenção da mídia.

- O Isaias, que comentou anteriormente no mesmo post, e igualmente do Senhor, teve um comentário deletado, no qual insultava uma comentarista. Se eu fosse um dos administradores do céu, pensaria duas vezes antes de aceitar esse jovem no recinto.

- Quantas pessoas entraram de maca na igreja (evangélica, bem entendido) e saíram do mesmo jeito? O que equivale a perguntar: quantos cortes os editores dos programas televisivos de sua igreja têm que fazer ao final de cada culto? Quantas entraram de maca, saíram e em menos de 24 horas tiveram que voltar? Quantas das emacadas curadas passavam por algum tratamento médico? (Como elas estavam em macas hospitalares, acho que pelo menos 100%, né? Não querendo desmerecer a sua igreja, mas às vezes o diabo desses remédios funcionam, vai entender.) E, mais importante, quantas pessoas não tinham qualquer necessidade de maca, mas subiram em uma antes de entrar na igreja? Gimme numbers, man!

- Não querendo chamar vossa excelência de tolo, mas vosmecê sabe que todo dia milhares de pessoas dão entradas em hospitais, passam por macas e, também todos os dias, milhares de pessoas são curadas e saem dos hospitais, sem a benção de qualquer pastor, não sabe?

- Aliás, cadê o conselho regional de medicina para dar uma dura nos profissionais que abrem uma brecha para pacientes saírem com maca e tudo para cultos evangélicos? E, se os cultos são mais eficientes que os hospitais, por que os médicos não mandam logo todo mundo pra lá e vão tirar uma folga?

- Você tem ideia de quantos doentes são rezados por e morrem como se ninguém tivesse rezado? (Ou como se não houvesse Ninguém para ouvir rezas?, ou como se houvesse Algum impotente ou incompetente ou sádico ouvindo?)

- Você saberia informar sobre algum culto que aplique vacina espiritual contra a paralisia infantil?

* * *

Por falar em Haiti, de novo: os únicos religiosos que não falaram besteira sobre o assunto foram os que não tentaram justificar o terremoto. Não foi o caso da União de Blogueiros Evangélicos, e o Index recomenda com atraso a leitura do post que o pessoal elaborou, um clássico do nada com coisa nenhuma, no melhor estilo “agora-é-levantar-a-cabeça-e-trabalhar-com-o-professor-durante-a-semana”. [atualização (3 de março, 13:20) - o site da UBE está fora do ar, mas o post pode ser acessado em cache do Google - clique aqui]

Antes de perguntar retoricamente “Quem somos nós para querer penetrar na mente do Senhor?“, o autor do post cita um trecho de Romanos: “A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão”; malandramente informa que o Criador é justo mas (cuidado!) “penetra e sonda os corações de todos e assim sabe das intenções interiorizadas de cada ser humano”; diz que é “verdade incontestável” que “se ocorreu o terremoto no Haiti, é porque Deus permitiu”; e no entanto apoia o envio de ajuda para o país.

Ora, o pessoal precisa se decidir! Se Deus “permitiu” o terremoto após “sondar” o interior dos haitianos (e o post alerta que “a pessoa má, na descrição bíblica, são [sic] todas as pessoas que desprezam ao Senhor” - huuum…), ou 1)Ele foi mesmo “justo”, e ajudar as vítimas é ir contra a justiça divina, ou 2)as vítimas devem sim ser ajudadas, Deus foi injusto e os evangélicos escreveram sobre Sua justiça apenas para enganar e ir pro céu - neste caso, Deus saberia das “intenções interiorizadas” (não seria interiores?) de todo bicho de orelha, menos dos blogueiros evangélicos.

* * *

P.S.: A partir disso tudo, outro link: “A esquecida arte do silêncio“, por Rafael Galvão.

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ATUALIZAÇÃO: O Biajoni, em um comentário desinteressado aí embaixo, lamenta o fato de os evangélicos não lerem seu blog Metáfora (o Index recomenda, de verdade).

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Redentor

Jesus Cristo reflete sobre a Arquidiocese do Rio...

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Mais evidências contra a evolução, pessoal!

Para diversão geral das massas, mais uma vez aparece um criacionista no Amálgama. Não que ele tenha peito para se assumir como tal. Mas vem com “evidências” contra a evolução. Como já fez com outros criacionistas que por lá passaram e nunca mais voltaram (pelo menos não assinando com o mesmo nome), o nosso amigo Gato Precambriano nos faz o favor de perder algum de seu tempo também com esse cidadão. Continue reading →

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Como dar imunidade a uma crença absurda

A polícia religiosa adverte com frequência: você não pode atacar uma crença porque essa crença faz parte do sistema de crenças de vários indivíduos, e, logo, são uma parte de sua constituição enquanto indivíduos. Se você criticar uma crença como absurda, e rir dela, estará agredindo esses indivíduos e sendo arrogante, insensível, intolerante, radical, fundamentalista.

Portanto, para quem quiser dar, se não credibilidade, pelo menos proteção a uma crença absurda qualquer, o Index dá o passo-a-passo. Tome nota.

*

Você acredita que no outro lado da Lua há homúnculos e que em breve (muito em breve!) eles virão à Terra salvar a humanidade de suas próprias loucuras.

- Para começar, diga a quem lhe questionar sobre a probabilidade de tais homúnculos existirem: “Você não tem como provar que eles não existem, tem? Sim, nossos satélites nunca fotografaram uma civilização homúncula na superfície da Lua, mas ela pode estar no interior da Lua. Você não pode provar que o interior da Lua não contenha uma civilização homúncula, pode? Então estamos conversados.”

- Depois, propague sua crença a uns poucos gatos pingados. Use duas séries de palavras, sempre que possível na mesma sentença: palavras bonitas e palavras que não querem dizer nada e podem dizer qualquer coisa.

- Quando você e os gatos pingados já constituírem número suficiente para encher uma Kombi, fundem uma associação. Digamos, Grupo Pelos Homúnculos Lunares. E embora vocês estejam dispostos a conquistar o mundo, a associação deve ser “sem fins lucrativos”.

- Quando o Grupo começar a cooptar alguns líderes comunitários e políticos, estará na hora de transformá-lo em algo mais ambicioso, numa instituição de ensino/think tank que estabeleça a doutrina e as diretrizes do homunculismo. Digamos, Confraria Homuncular Terrestre. Duas pessoas se esforçando para transformar piadas em argumentos respeitáveis é uma tarefa inglória, mas com um corpo de intelectuais fazendo o mesmo, a coisa toma outra forma, ou pelo menos fica mais barulhenta.

- Crie várias instituições parecidas por todo o mundo, mas concentre o poder de decisão em umas poucas.

- Não é condição sine qua non, mas ajudará bastante se a sua crença se tornar a crença majoritária em um único país. Se o mercado estiver saturado, não se desespere: funde um país. Seu poder de convencimento é enorme, devido à sofisticação de seu raciocínio, e os adeptos da crença homuncular não o são por acaso: portanto mostre a eles que, se “separatismo” rima com “homunculismo”, não deverá de ser à toa e… funde um país.

- Quando a crença nos homúnculos lunares estiver enraizada nesse país a ponto de ter se tornado parte de sua cultura, classifique de “intolerante” qualquer tentativa de retirar de instituições públicas os metais em forma de lua crescente com pontinhos verdes.

- Não esqueça de cultivar ou tolerar alguns “moderados” em seu grupo. Eles poderão ser úteis como escudo humano - quando atacarem sua instituição, diga: “Vejam só quem vocês estão atingindo.”

- À medida que sua crença ganhe adeptos ao redor do mundo, inevitavelmente várias pessoas humildes se associarão. Isso é fundamental, porque os avacalhadores de sua doutrina vão pensar duas vezes antes de procurar a lógica por tais de crenças de pessoas tão inocentes - e que, apenas por acidente, também são as suas.

- Se, ainda assim, os detratores insistirem em analisar as doutrinas de sua crença sob a luz da lógica, denuncie: eles estão investindo na verdade contra pessoas humildes; o que eles querem, mandá-las para gulags? Os pobres são tão fundamentais para sua doutrina que você deve se certificar para que nunca faltem.

- Se for extorquir os adeptos do homunculismo, não seja louco de usar a palavra extorsão (lembre-se: você não é louco, não é, louco não, você não é louco). Uso um termo mais leve, se possível algum já utilizado por congregações mais antigas que a sua. Se os críticos investirem contra a “instituição” da “extorsão”, diga que isso não é da conta deles, já que ninguém estará sendo obrigado a ser “extorquido”; se as críticas continuarem, diga que na verdade elas estão é afrontando as crenças e tirando a dignidade dos “extorquidos”. E não esqueça de dizer que a “extorsão” é da vontade dos homúnculos da Lua, que veem tudo o que fazemos na Terra em seus telões de 4 polegadas.

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Ateísmo e falsas simetrias

Idelber Avelar, professor na Tulane University, tem um post que virou um clássico da blogosfera: “Ateus, saiam do armário! Ateísmo e falsas simetrias“. Até porque nos comentários do último post do Index discutimos sobre se crenças religiosas devem ser criticadas, ironizadas, ridas, etc., reproduzo agora trechos do post do Idelber, que toca nessa e noutras questões.

*

(…)

Está em curso uma perigosa tendência a silenciar os ateus. O argumento – calhorda, cafajeste, ignorante – é que cada vez que um ateu sai do armário, se assume como tal e começa, a partir dali, a articular publicamente suas razões para ser ateu, ele está repetindo, mimetizando, reproduzindo a doutrinação evangélica com a qual somos bombardeados todos os dias. Cada vez que os ateus começamos a falar publicamente sobre essa mais óbvia e razoável das escolhas vem alguém nos acusar de… estar querendo evangelizar os outros!

Dá pra imaginar uma simetria mais falsa?

(…)

A crítica que ouço por aí a Richard Dawkins – que ele está liderando um movimento ateu que tem caráter evangelizante, doutrinador, e que portanto ele acaba se parecendo a um crente – é de uma burrice digna de um cristão. Nós passamos séculos em que os ateus não tínhamos sequer o direito de falar na esfera pública enquanto tais. Nós vivemos num mundo onde professores são despedidos por serem ateus; adolescentes recebem suspensão na escola por serem ateus; políticos que se declaram ateus têm pouquíssimas chances de serem eleitos. Essa mais razoável e óbvia das conclusões filosóficas – a de que o mundo não foi criado por nenhum ser onipotente – ainda é motivo de perseguição severa para qualquer um que a abrace.

Apesar do caráter laico da República Federativa do Brasil, garantido na nossa constituição, as religiões ainda gozam desses estranhos privilégios: não pagam impostos, por exemplo. A pior parte é que elas podem dar palpite em absolutamente tudo - desde o currículo escolar até o útero alheio – mas, no momento em que são questionadas, o debate é silenciado com aquele mais cretino dos argumentos, ah, tem que respeitar minha religião.

Entendam o ponto de vista d’ O Biscoito Fino e a Massa sobre isso: tem que respeitar religião porra nenhuma. Tem que acabar com essa história de que, todas vezes que apontamos a misoginia, a homofobia, os estupros de crianças, a guerra anticiência, os séculos de lambança obscurantista, sempre aparece alguém para dizer “ah, tem que respeitar minha religião”.

Ideias não foram feitas para serem “respeitadas”. Ideias foram feitas para serem debatidas, questionadas, copiadas, circuladas, disseminadas, combatidas e defendidas, parodiadas e criticadas. De preferência com argumentos. Seres humanos merecem respeito. Pregação contra o que seres humanos são, por sua própria essência e identidade (gênero, raça, orientação sexual) não pode ser confundida com sátira antirreligiosa. A maioria dos carolas adora confundir sátira antirreligiosa com ataque misógino ou homofóbico. Não entendem que sua superstição é, essa sim, uma opção.

(…)

- Para ler a íntegra, clique aqui. O blog do Idelber está hibernando, mas ele voltará, não percamos as esperanças.

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