Você sabe que o jogo sujo começou quando se compara um ponto sobre o aborto no plano de direitos humanos de um país democrático do século 21 à política de infanticídio autorizada por um monarca da Idade Antiga.
Era a isso que eu me referia no post antrior, quando sugeri que não vale a pena o Estado ser leniente com o racismo, o machismo ou o catolicismo simplesmente por serem todos aspectos da “nossa cultura”. Incluí o catolicismo, e a CNBB, que trabalha em tempo integral para divulgar a própria mediocridade, não me decepcionou.
Se você tinha dúvida que a igreja Católica é o bastião do reacionarismo no Brasil, dê uma lida no panfleto em que Lula é chamado de “Novo Herodes”. Este ordenou a matança de crianças com 2 ou menos anos de idade? Pois aquele não fica atrás, e quer descriminalizar o aborto. (Claro, estamos fazendo de conta que o relato da Bíblia – um livro que não passou pelo copidesque – é verídico; o historiador romano Flávio Josefo, que arrolou os crimes de Herodes, não cita o fato.)
E isso tendo Lula já recuado sobre a questão.
Mas o panfleto não se opõe apenas à descriminalização do aborto. Dom José Benedito Simão, da Comissão Regional em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, que soltou o panfleto, diz que sua igreja não é contra o Plano Nacional de Direitos Humanos como um todo, apenas àqueles pontos que “agridem” os direitos humanos. Além do aborto, são eles (adivinhem, adivinhem): união civil entre pessoas do mesmo sexo, adoção de crianças por casais homossexuais e a remoção de símbolos religiosos dos estabelecimentos da União.
Deixem o aborto de fora por um instante. Como, me pergunto, essas outras políticas poderiam agredir os direitos humanos? Como? Elas atingem dogmas preconceituosos, mas isso está longe de ser ruim.
Tragam o aborto de volta. Lembram daquele depravado, Dom José Sobrinho? Imaginemos a lógica dele e de sua turma na CNBB sendo aplicada: uma menina estuprada ter um filho contra sua vontade, e correndo risco de vida, é a atitude moral padrão, mas se depois a menina se desfizer da criança e esta, num orfanato, for adotada por um casal gay, aí os direitos humanos estarão terrivelmente violados. Quão cristão…
Diz o panfleto distribuído em São Paulo:
A Bíblia define o homossexualismo uma “abominação” (Lv 18,22). Lula o enaltece como “direito humano”, privilegiando-o com o direito de adoção! Que Brasil teremos no futuro? Cheio de “abominações”?
Vejam bem: homossexualismo, não homossexualidade – como definido pela Organização Mundial da Saúde em 1990, quando deixou de considerá-la uma doença. No mais, que gracinha essas aspas em direito humano… E essa exclamação após adoção!
Por que a CNBB não reserva um panfleto para essas outras passagens do Levítico? – “Não permitirás que se cruze o teu gado com o de espécie diversa; não semearás o teu campo com semente diversa; nem vestirás roupa tecida de materiais diversos” (19); ou “Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem desfigurareis os cantos da vossa barba” (27)?
Ah sim!, porque essas abominações já tomaram de conta e desfiguraram a sociedade irremediavelmente.
O terceiro e último ponto é contra a proposta do “Novo Herodes” de remover símbolos religiosos (leia-se, aqueles do gosto da igreja Católica) dos espaços do Estado:
O crucifixo é símbolo dos mais altos valores civis e religiosos. Se a lembrança de Jesus Cristo nos prédios da União incomoda, que Brasil o Presidente Lula pretende construir? Um Brasil sem Deus?
Entenderam? Se opor ao direito ao aborto e à igualdade de direitos para homossexuais está entre os mais altos valores. A igreja Católica é defensora desses valores. Os símbolos religiosos em espaços da União representam esse comprometimento. Logo, quem defenderia a remoção dos símbolos, se não um êmulo de Herodes e seus partidários?

Daniel Lopes, Teresina. Edito e escrevo no coletivo 





on Jan 23rd, 2010 at 10:13 am
vejam este vídeo!!!!
http://www.youtube.com/watch?v=Jr5Q5Volv88
Responder
on Jan 23rd, 2010 at 11:31 am
daniel:
você diz sempre que começa os cursos e não termina. acho bom terminar um deles. caso contrário vão te chamar de apedeuta, como fazem com o lula. agora mais essa: HERODES. depois pedem jogo limpo.
um abraço.
romério
Responder
on Jan 23rd, 2010 at 12:17 pm
ô Daniel, como vc é exagerado!! Putz!! Meu irmão, compreenda que dentro da Igreja Católica existem várias linhas de pensamento sobre como devem ser enfrentadas as questões que os tempos colocam. Vc é que está sendo reacionário quando diz que a Igreja Católica é o bastião do reacionarismo brasileiro porque existem muitas coisas boas também. O trabalho da CPT é único e imprescindível para os agricultores/as pois se temos atualmente índices confiáveis sobre os latifundios e a questão agrária, deve-se tudo isso à CPT. Como vc desconhece questões relacionadas à terra e o trabalho escravo, fica generalizando e isso é inaceitável para alguém que quer fazer críticas sérias e ainda ser levado à sério. Duvido que vc conheça o trabalho desenvolvido pelo Dom Tomas Balduíno ou Dom Pedro Casaldáliga!! Saiba também que o MST e o PT são movimentos que têm suas raízes na Igreja Católica. Só falta vc dizer que o MST é constituído por um bando de baderneiros!! affff… Esse panfleto é de uma regional (a Sul 1) da CNBB o que não quer dizer que ele é a expressão de toda a CNBB o de toda a Igreja Católica!! Existem tantas coisas boas que vc faz questão de “esquecer”!!O projeto Ficha Limpa, a realização dos plebiscitos da ALCA e da CVRD, o Grito dos Excluídos (que hoje é realizado em vários países), a Teologia da Libertação, as CEBs, as pastorais sociais (como a Pastoral da Criança, por exemplo, que faz um trabalho que não é feito por governo algum!!). Tenho várias críticas à Igreja mas é preciso ter honestidade intelectual para perceber que há muita coisa boa que foi feita e que continua sendo feita. A Igreja Católica não é diferente de qualquer outra instituição…em seu interior existem pessoas conservadoras e as que não são e possuem outros olhares para as diversas questões sociais. As universidades, por exemplo, têm também gente que pensa de forma inaceitável mas também existem aqueles que têm uma percepção diferente do mundo. E outra coisa, penso que a generalização é uma das expressões do reacionarismo!! Generalizar é empobrecer a capacidade de ver o mundo…vê se ocê acorda, meu irmão!! rsrsrsrs
Responder
daniel Reply:
January 23rd, 2010 at 12:43 pm
Todas as alas da igreja obedecem a uma hierarquia que tem no cume, desde sempre, um chefe reacionário. Você dirá: claro, ela é um instituição como tantas outras. Concordo. Digo apenas que há instituições eminentemente progressistas e outras reacionárias. Em momentos de críticas, todos se unem em defesa do Vaticano. O atual Papa tem com a teologia da libertação um cuidado especial, mas, como você sabe, o Leonardo Boff anda mais preocupado com o Dawkins – embora este, coitado, não tenha o dom de lhe impor silêncio obsequioso.
O panfleto de linguagem século 15 é de uma regional e contou com apoio da matriz. Assim como contou com apoio Dom José Sobrinho e outro craques. Quando uma igreja evangélica tiver o poder de influência (inclusive de lobby) que a igreja Católica tem, pode ser que esta passe o bastão de bastião do reacionarismo. (Em tempo: os pentecostais também desenvolvem trabalho social, mais em periferias e centros urbanos que no campo, e os doutrinados sentem-se verdadeiramente renascidos. Não obstante esse trabalho social, quem vai negar que os pentecostais e evangélicos em geral produzem panfletos semelhantes a esses da CNBB? Apenas, não têm ainda a influência da ICAR.)
Já que você falou que nas universidades também existe divergência, eu penso que se a igreja Católica, como um todo, fosse uma universidade, seria assim como uma Liberty University.
Responder
Enoisa Reply:
January 23rd, 2010 at 2:42 pm
Meu amigo, não existem instituições eminentemente progressistas ou eminentemente conservadoras. Em qualquer uma, encontramos pessoas conservadoras e também progressistas. Em qualquer uma, encontramos pessoas de diferentes pensamentos que têm diferentes visões de mundo. E não falo de assistencialismo…o trabalho da CPT não é assistencialista, como também não é essa a visão da Teologia da Libertação. Se vc conhecesse a metodologia de uma Romaria da Terra entenderia o que estou dizendo. O problema é esse, Daniel, vc não conhece o que é feito de bom e coloca tudo numa mesma panela!! Possui a mesma tática da mídia, ou seja, evidenciar os pontos ruins e “esquecer” os bons conforme os seus interesses. A mídia não fala da Romaria da Terra, não fala do Fórum Social Mundial, não fala do Fórum da Teologia da Libertação, não entrevista o Stédile …e assim tá vc!
E sobre algumas neopentecostais, existem coisas muito piores…sem comparação!! É só acompanhar os “milagres” na programação de alguns canais de televisão!!
Termine uma universidade, faça um mestrado e um doutorado. Depois tente me dizer qual a diferença entre quaisquer instituições!! Duvido que vc irá encontrar alguma!! Existem professores que colocam o Dom Sobrinho no bolso de tão limitados que são!! E professores doutores, viu?
Inté, criatura!!
Responder
daniel Reply:
January 23rd, 2010 at 2:45 pm
Não consegui passar no vestibular. Mi dircupa eu
on Jan 23rd, 2010 at 2:44 pm
ah!! Esqueci de dizer que vc, além de reacionário, é o maniqueísmo personificado!! rsrsrsrs
Responder
on Jan 23rd, 2010 at 5:52 pm
Passou sim no vestibular!! rsrsrs Ocê não quis foi levar à sério os estudos acadêmicos!! Iria ficar doido com a realidade acadêmica que é pior do que a realidade religiosa porque as pessoas têm acesso à leitura de inúmeros autores e mesmo assim querem permanecer longe da realidade social e ainda impor, literalmente, idéias equivocadas! E se o aluno ou aluna teimar, fica reprovado/a!! É mole? UFA!
Responder
on Jan 23rd, 2010 at 6:52 pm
“que Brasil o Presidente Lula pretende construir? Um Brasil sem Deus?”. Ah, que Deus os ouça.
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Ah, sobre a adoção por casais homossexuais, vc nem imagina como eu já me diverti mandando aquela foto (http://incautosdoontem.opsblog.org/2009/12/14/o-exemplo-que-deus-nos-deu/) para uns chatos ignorantes que existem por aí.
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De resto, Daniel, parabéns. Ótimo texto.
Responder
daniel Reply:
January 24th, 2010 at 11:38 am
Obrigado pela visita, Ulisses.
A foto no teu post é simplesmente espetacular, inclusive deixei um comentário. E instrutivos também os comentários do tal Mané nesse post — o nome já diz tudo.
Abs.
Responder
on Jan 23rd, 2010 at 11:06 pm
Ridículo! Ninguém precisa terminar uma Universidade, fazer um Mestrado ou Doutorado para SENTIR que a Igreja é apenas uma bengala para aqueles que não conseguem, por conta própria, encontrar outra forma de constituir-se em cidadãos éticos. A ética cristã, essa sim, é defensável. Tanto quanto a ética budista. A teologia e a cosmogonia cristãs, no entanto, são um romance, um épico, nada mais do que isso.
Desde que o homem criou deus à sua imagem e semelhança ele pode, finalmente, atribuir a algo fora de si as mazelas que ele mesmo criava e impunha aqueles que lhe cercavam.
Se existem, dentro da Igreja pessoas reacionárias e progressistas, como a Enoisa fala – ela mesmo concorda mas talvez não tenha se dado conta – que não é a igreja que faz o bem: são as pessoas. Estas mesmas pessoas que fazem parte de uma mentira bem contada da qual ainda não souberam se libertar e, como indivíduos que são, criar uma liberdade e uma existência independente de uma ilusão que lhes fois vendida enquanto ainda eram crianças.
Responder
Enoisa Reply:
January 24th, 2010 at 7:02 am
Rafael, vc tem uma opinião diferente da minha e nem por isso eu o chamo de ridículo!! E procuro respeitar o que vc pensa…não entendo porque as pessoas acham que devemos todos ter os mesmos pensamentos ou as mesmas visões de mundo ou ainda as mesmas crenças! Vc possui suas verdades e eu as minhas. Qual é o problema?? ah! se as minhas verdades ou ilusões não forem as suas (verdades e ilusões), então deverei ir queimar no mármore do inferno ateu!! rsrs É muito engraçado….o que fica claro com tudo isso é que a intolerância permeia todo o tecido social, religioso ou não!! Simples assim.
Responder
Enoisa Reply:
January 24th, 2010 at 10:19 am
E esqueci de explicar melhor, Rafael, o meu pensamento sobre a necessidade de demorar-se no meio acadêmico: é para vivenciar experiências nas relações que são estabelecidas no referido ambiente que podem ser pensadas a partir das leituras que fazemos. É para entender, portanto, que não se constitui um cidadão ético sem referências. Acredito que somos, cada um/a, a soma de percepções que são despertadas nas inúmeras e diversas experiências que temos no decorrer das nossas vidas.
Responder
Rafael Reinehr Reply:
January 24th, 2010 at 9:31 pm
Novamente reitero: é uma estupidez o que estás dizendo. E é lamentável fazer o que tentas fazes: colocar palavras na bouca de outrem. Em nenhum momento desrespeitei teu direito em emitires tua opinião, apenas emiti a minha a respeito da sua.
Outra coisa: se a carapuça de “ridículo” serviu a você, este é, lamentavelmente, um problema seu. Quando usei a palavra “ridículo”, me referi justamente ao seu argumento, o de acreditar ser necessário passar por uma faculdade ou, quem sabe, insinuar que é necessário crer em algum deus (o seu, talvez) para ser ético. É esta arrogância essencial dos teístas que me incomoda: o desrespeito essencial por quem tem opinião diversa.
Do meu lado, pelo contrário, respeito plenamente o direito ou a decisão de cada um de ter sua própria crença, justamente por ter estudado tanto o cristianismo, o hinduísmo, o taoísmo, o budismo e o espiritismo (com sua base cristã presente) e, ao encontrar-me após com a seguinte pergunta: qual delas está certa?
A única resposta que me satisfez: TODAS estão certas para aqueles que delas precisam, para aqueles que delas se nutrem e as utilizam para tentar manter-se na “linha reta” que você propõe. NENHUMA está certa quando tenta doutrinar ou se impor à livre vontade individual de cada um.
Lamentavelmente, você está corrompida e impura, então sua própria intolerância reflete em um espelho e, assim, tentas imputá-la no outro (no caso, em mim). Sou completamente tolerante a toda e qualquer religião e adoro conversar com meus pacientes sobre religião, entender como eles levam a vida, cada um com sua crença específica. Apreender como eles lidam com deus quando a saúde lhes falta e também quando lhes é restituída. Interessante perceber como lidam mal com a morte, independente de qual sua crença – excetuando-se os budistas, que parecem estar bem preparados para a impermanência.
Para finalizar, é curioso como consegues utilizar argumentos tão bonitos e bem delineados com outros tão obtusos e sem sentido. Dizes: “não se constitui um cidadão ético sem referências.” e, logo depois, “Acredito que somos, cada um/a, a soma de percepções que são despertadas nas inúmeras e diversas experiências que temos no decorrer das nossas vidas.” Quanto à última sentença, concordo plenamente: somos o resultado dos estímulos que temos em nossas vidas, (adiciono ainda uma capacidade genética herdada de compreender e perceber as coisas); quanto à primeira asserção, entretanto, não tenho percepção tão clara como a que apresentas. Em primeiro lugar, precisaríamos investigar a questão humana. Somos inerentemente bons ou inerentemente maus? Ou somos uma tábua rasa? Se somos bons (devemos ser, pois segundo a crença cristã somos filhos de deus, e não do demônio) o que acontece com o tempo é que somos desvirtuados, e na verdade são as más referências que levam embora nossa ética. Mas, como pensador livre, tendo a acreditar cada vez mais que, para não cair nas superstições religiosas e nas armadilhas dos evangelistas, não devemos aceitar leis morais sob medo e obediência (tudo que se ensina na escola e na igreja).
Agora, por favor, se ainda não estiver sentada, sente-se para ler o que tenho para te dizer, pois temo que possas ter uma síncope: Não há código moral universal que dita o comportamento humano. Não há coisas como bem e mal, não há modelos universais de certo e errado. Nossos valores e moral vem de nós e pertencem a nós, quer gostemos ou não, então nós devemos assumi-los, orgulhosamente, como nossas próprias criações ao invés de procurar alguma justificação externa para eles.
E são justamente todas essas inúmeras percepções e experiências que minhas numerosas leituras teológicas, minha catequização luterana e meu aprendizado nas faculdades de Medicina, de Filosofia e de Ciências Sociais me mostraram.
Então, para finalizar, uso Voltaire, que uma vez disse algo que levo comigo e espero que sempre leia minhas críticas à tua superstição com esta frase ao fundo: “Posso duvidar completamente do que dizes, mas defenderei até a morte o direito que tens de o dizeres”.
Paz.
on Jan 24th, 2010 at 8:29 am
Enoisa, entendo o seu ponto de vista, mas penso que o Daniel trouxe evidências muito importantes, que merecem ser melhor consideradas pelos próprios cristãos.
A Igreja Católica tem um lugar controverso no mundo atual, o que não é novidade nenhuma.
Por um lado, como disse o Daniel, as tendências dominantes na história da ICAR sempre repudiaram as tendências “progressistas”. A despeito da existências de correntes “diferentes”, com ações sociais e propostas diferentes, elas são, em geral, marginalizadas pela centralização do poder no Vaticano.
Em um termo que soaria melhor, a meu ver, as tendências “modernas” é que foram repudiadas pela ICAR. O caso da teologia da libertação é exemplar.
Por outro lado, um pouco no sentido do que disse o Rafael, eu diria que o maior problema enfrentado pela Igreja Católica, hoje, é lutar para se manter como a instituição com as dimensões gigantes que ela tinha no nascimento do “Ocidente”. Uma instituição universalizada pela verdade da palavra cristã. Algo assim não cabe mais em um mundo como o de hoje, no qual até mesmo os Estados modernos são passíveis de suspeita.
A filosofia cristã e tudo mais que diz respeito ao cristianismo é de uma riqueza muito grande. Mas a ICAR, como instituição, parece-me fora de lugar. A “diplomacia” do Papa deixa ver isso muito bem.
Responder
Enoisa Reply:
January 24th, 2010 at 6:57 pm
Rodrigo, concordo totalmente com vc quando afirma a primazia das tendências conservadoras da Igreja Católica. Porém, na história da ICAR, essa tendência sempre foi contestada. No meu blog, por exemplo, vc encontrará inúmeros artigos de bispos, padres, freiras e teólogos críticos. A TL foi apenas mais um contexto progressista marginalizado pelo Vaticano …o que foi feito com Dom Helder Camara no Brasil – quando o bispo que o substituiu acabou com todo o trabalho que vinha sendo feito pelo Dom – nunca será esquecido por todos nós que conhecíamos a vida de Dom Helder.
Também concordo quando vc diz que a Igreja Católica ocupa um lugar controverso na atualidade. E digo mais: não apenas nos tempos atuais, mas em todos os tempos ela revelou a face contraditória da humanidade. Quem de nós não ocupa um lugar controverso na vida? É claro que muitos preferem assumir cômodos papéis (lembrei agora de um conto do Machado de Assis intitulado “O Medalhão”) mas isso deve ser fruto da escolha de cada um/a que deve ser respeitada; o que não quer dizer que tais escolhas não possam ser alvo de críticas.
E penso que isso é que é o bonito da vida: essa diversidade de pensamentos, de opiniões, de olhares diferentes que nos ajudam a assumir a nossa condição humana, pois provocam o diálogo, a aproximação e a reflexão.
Abraços!!
Responder
on Jan 24th, 2010 at 8:47 am
Um adendo necessário, pra ser melhor entendido: não questiono o apreço dos católicos pela universalidade do cristianismo, mas sim pela insistência na universalidade da instituição que eles representam.
Responder
Enoisa Reply:
January 24th, 2010 at 7:07 pm
Rodrigo, havia entendido e mais uma vez concordo com vc. Mas saiba que nem todos têm essa triste e amargurada percepção. Fico extremamente incomodada com a insistência incompreensível de pessoas (não apenas do segmento católico, mas de vários segmentos sociais) de não compreenderem a beleza da pluralidade!!
Responder
on Jan 24th, 2010 at 2:02 pm
Parafraseando Richard Dawkins em seu novo livro, O Maior Espetáculo da Terra:
Imagine que você é um Ateísta Racional e Esclarecido ávido por transmitir seu conhecimento e entusiasmo por um País melhor e Continuamente você vê seu precioso tempo predado e atenção doaqueles que mais necessitam serem instruídos deviada por um matilha servilhista de IGNORAMUSES…
Não imaginemos! Estamos neste lugar e somos desrespeitados e humilhados por um Quadrilha de Genocidas Pedófilos que anseia tornar o Brasil uma Teocracia.
Empenhados numa defesa monumental de Preconceito Ignorante que deve nos servir de estímulo para lutar porque a maioria da população não dá a mínima só quer não se intrometer porque “tais assunto não se discutem”.
Responder
on Jan 24th, 2010 at 11:02 pm
Uma coisa, Rafael, é vc dizer: Enoisa, não concordo com vc por tais e tais razões. Outra coisa, muito diferente, é vc rotular o que eu penso com as palavras ‘ridícula’ e ‘estúpida’. Tais palavras foram ditas por vc e não fui eu que as coloquei em sua boca.
Podemos sim, emitir opiniões sobre o que o outro pensa sem necessidade alguma de tornar sem valor o modo de pensar do outro. Quando vc diz que é ridículo o meu pensamento, está dizendo que ele é insignificante ou merecedor de escárnio. Quando vc diz que é estúpido o que eu penso, está dizendo que tal pensamento não possui razão de ser ou que é grosseiramente errôneo. Vc não está apenas discordando, mas afirmando que o eu penso é ridículo e estúpido.
E como estou, como vc diz, corrompida e impura, seria até audácia da minha parte me dirigir a alguém de tão nobre estirpe.
Fiquemos, portanto, com os nossos diferentes pensamentos sobre variadas questões, inclusive sobre o que significa respeito, que entre outras definições, é o sentimento que nos impede de dizer coisas desagradáveis a alguém.
E por falar em Voltaire, vc me lembrou um conto do filósofo francês intitulado “Micrômegas”!
Responder
daniel Reply:
January 24th, 2010 at 11:15 pm
Enoisa, entro na discussão apenas para perguntar o seguinte: você não acredita que existem opiniões ridículas? Ou existem, mas você não acha que alguém deve dizer que elas o são? Se eu disser, por exemplo, “Todos os crentes devem morrer para que o mundo se torne melhor”, seria falta de educação me chamarem de estúpido, porque, tadinho de mim, posso ficar ofendido?
De minha parte digo apenas que aqueles que pensam sobre os direitos homossexuais o que pensam os autores desse panfleto da CNBB devem ser tratados sem qualquer condescendência.
Responder
Enoisa Reply:
January 25th, 2010 at 12:07 am
Dan, penso que existem opiniões com as quais eu não concordo de jeito nenhum…se vc afirmar que o mundo seria melhor se os crentes desaparecessem, eu não chamaria essa sua opinião de ridícula!! Diria procê: ô Daniel, o mundo ficaria chato e sem graça porque as pessoas que sobrariam teriam quase as mesmas idéias sobre a vida. E por que não podemos ser educados uns com os outros? Nós dois, por exemplo, trocamos opiniões há anos e mesmo quando as questões que discutimos são altamente polêmicas, vc nunca me rotulou de ridícula ou estúpida. Por qual razão vou trocar idéias com alguém que sei que irá ser desagradável? E como eu não digo às pessoas que elas têm idéias estúpidas; também não gosto de ouvir tais coisas. Não fico ofendida, mas fico chateada. Posso sentir tal sentimento? Ocê permite?
Responder
daniel Reply:
January 25th, 2010 at 12:31 am
Bem, vossa excelência certamente não precisa da minha permissão pra sentir nada :-p
Opiniões com as quais não concordamos sempre existem, OK. Mas dentre essas algumas são criminosas, outras ridículas, outras indigentes… Tanto para apenas algumas pessoas como por qualquer critério de bom senso. Pegue o MST, onde meu pensamento é mais parecido com o teu. Se alguém me disser que reforma agrária é coisa do passado, ou que já foi feita pelo FHC, ou que o MST não tem razão de ser, dicordarei sem chamar a opinião de ridícula, o que não acho que seja. Mas se o indivíduo disser que os sem-terra são ignorantes por natureza e portanto merecem estar na miséria, ou que sem-terra bom é sem-terra morto… você harará de concordar comigo que a opinião do sujeito não se baseia mais em qualquer aspecto da realidade, apenas em preconceito e ódio de classe; mais do que isso, essas opiniões são um incentivo ao e racionalização de crimes no campo. Eu não teria talento para “debater” condescendentemente com um indivíduo desses. O mesmo, na minha opinião, ocorre com quem nutre e propaga opiniões medievais sobre direitos civis para homossexuais.
Então, no fundo, vamos acertar aqui pelo amor de Deus: eu e você divergimos mais quanto a questões de estilo que em qualquer outra coisa. Você não gosta de como eu faço algumas das minhas críticas, OK, você não é a única. Quando eu critico duramente aqui no blog ou em outro lugar um sujeito como Dom José Sobrinho ou Silas Malafaia, não ponho no mesmo saco todos os crentes, não são para todos eles os meus adjetivos. Mas se me aparecem alguns que se identificam com esses cidadãos e pensam como eles, e se sentem agredidos pelas críticas, eu fico sempre muito feliz, porque merecem.
Estou às ordens.
on Jan 25th, 2010 at 7:15 am
Fiquei apenas esperando ver o que vc iria dizer sobre o que a nobre criatura disse acima: eu, meu irmão, corrompida e impura! Para uma asneira dessa, é impressionante a sua condescendência!! E vc sabe porque não gosto das suas críticas…lembro se esqueceu: são generalistas e maniqueístas! Não é questão de estilo, mas os tipos de argumentos utilizados por vc na defesa das suas idéias! Inté!!
Responder
daniel Reply:
January 25th, 2010 at 12:37 pm
Por que maniqueístas? Porque vejo os direitos dos homossexuais como uma política básica de direitos humanos e acho que a oposição a esses direitos, baseada em dogmas arcaicos, deve ser combatida com força? Ou porque acho que as aulas de ciência devem ensinar a evolução mas não o criacionismo?
Por que generalistas? Porque acho que a ICAR é uma instituição recionária apesar da CPT? Se eu disser que o nazismo era assassino, estarei sendo “generalista”? — porque, você sabe, alguns filiados do partido nazista salvaram judeus.
Responder
Enoisa Reply:
January 25th, 2010 at 3:20 pm
Maniqueísta porque, em relação à Igreja Católica, vc divide o mundo entre o bem e o mal que é representado pela Igreja Católica; sem levar em consideração que em alguns documentos (não lembro agora quais, eu teria que fazer pesquisa e tô sem tempo) ela reconhece o homossexual como alguém possuidor de direitos. Em outras religiões, a homossexualidade não é em hipótese alguma admitida. Leia, por favor, a edição 253 da revista dos jesuítas que possui o tema “Uniões homoafetivas. A luta pela cidadania civil e religiosa”; a edição 199 – “Os desafios da diversidade sexual”. Nos Cadernos de Teologia Pública, sugiro a leitura da Edição n°30 “Espiritualidade e respeito à diversidade”. Meu irmão, vc desconhece o pensamento da Igreja e quanto aos dogmas arcaicos, sobre qual exatamente vc se refere? É maniqueísta porque pensa que nas aulas de ciências deve ser ensinado somente a teoria da evolução, retirando das pessoas o direito de conhecerem também a teoria criacionista que, por sua vez, representa para vc o mal.
Não é apenas a CPT que inviabiliza a idéia de que a Igreja Católica é uma instituição reacionária. É a existência das pastorias sociais: Pastoral Afro-brasileira, dos Brasileiros no Exterior, Carcerária, da Criança, da DST/AIDS, do Menor, dos Migrantes, da Mobilidade Humana, da Mulher Marginalizada, dos Nômades, Operária, dos Pescadores, da Pessoa Idosa, do Povo da Rua, da Saúde, da Sobriedade, da Juventude…Já falei pra vc um pouco da CPT e agora com a morte de Zilda Arns deu pra ver o que a Pastoral da Criança faz. Vc conhece o trabalho e as denúncias sobre a situação dos migrantes – que nunca são veiculadas pela mídia – que são feitas pela Pastoral dos Migrantes? Claro que não sabe!! Vc quer defender os direitos apenas dos homossexuais? E as demais pessoas, que são vítimas da sociedade capitalista e, por isso, têm nos trabalhos da Igreja Católica a única oportunidade de se reconhecerem como seres humanos possuidores de direitos, vc não considera? Penso que já contei para vc: quando foi realizado o Plebiscito da Alca, ministrei ao todo 18 palestras em colégios públicos em Teresina e no interior, procurando conscientizar as pessoas sobre o que significaria, para as nossas vidas, se fosse firmada a ALCA. Em todo Brasil, milhares de agentes pastorais fizeram o mesmo. Não sei de nenhuma universidade que tivesse tido a preocupação de sair dos seus muros para fazer esse trabalho de conscientização junto à classe mais carente. Participe de todo o processo de uma Romaria da Terra…são 6 meses de preparação junto aos agricultores. São cursos e palestras que abordam a situação social e econômica brasileira. Recebem informações que nunca teriam sobre o trabalho escravo, sobre cisternas, sobre a conquista dos seus direitos.
Enquanto o Papa dorme, a Igreja não deixa de caminhar no sentido de ajudar milhares de homens e mulheres. Diante de toda essa realidade, espero que tenha entendido porque penso que vc é generalista.
Comparar Igreja Católica com o nazismo? Meu irmão, não confunda alhos com bugalhos!
Inté!
Responder
daniel Reply:
January 25th, 2010 at 4:45 pm
Você está confundindo generalização com estereótipo. Generalizar é algo que muitas vezes ajuda na informação que se quer passar (há um texto bem humorado sobre isso no Amálgama: http://www.amalgama.blog.br/10/2009/dos-problemas-de-nao-generalizar/). Não se pode, sempre que se afirmar algo, sair listando as exceções.
No que diz respeito a este post, a pergunta é: no geral, a igreja Católica é um mal ou um bem para o mundo? Conheço quem ache que é um bem, e não os acho maniqueístas. Eu acho que seja um mal, e, por isso, você me vê como um maniqueísta.
Não comparei a igreja Católica com o nazismo, você entendeu mal minha questão.
on Jan 25th, 2010 at 7:18 am
E esqueci de dizer que tá é animado esse post, né! rsrsrs
Responder
on Jan 25th, 2010 at 3:09 pm
Enoisa, detestei o meu estúpido e gostaria de pedir desculpas. Deixe-me mudar para “carece de embasamento prático”. Talvez assim não soe tão agressivo e te sintas melhor em continuar dialogando.
Achei apenas aviltante a ideia de que seja necessário “translumbrar” os portais de uma universidade, ser douto e letrado para perceber com alguma “clareza superior”, digna de “iniciados”, a realidade última das coisas. É justamente isso que a Igreja (e a Escola, e o Governo) nos querem fazer pensar: há que se ter uma hierarquia, onde alguns “merecedores” podem subjugar outros, que devem ficar sob seu comando ou orientação a fim de ganharem seus prêmios ou não serem punidos.
Se algum dia cair em suas mãos o livro “Sociedade Desescolarizada”, de Ivan Illich, e decidires que é necessário um contraponto teórico à sua visão de mundo em relação à escola dentro de um sistema de capitalismo mundial integrado, busque apreender o que o velhinho tem a nos dizer. Ele e Paulo Freire tem muito mais em comum do que a pedagogia moderna ousa aceitar. Illich mostra quão mais enriquecedor pode ser o aprendizado FORA de um sistema concebido para regular e educar “de cima para baixo”…
São tantos os exemplos de candura, sapiência e vastidão moral de pessoas que nem sequer flutuaram perto das universidades ou levitaram ao redor dos livros ou da instrução acadêmica…
Sobre o corrompida e impura, achei que não precisaria explicar a piada… Mas deixo você requebrando mais um pouquinho… Tenho certeza que irás captar…
Realmente, post animado! (Viu como concordamos em algo? É um começo!!!)
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Enoisa Reply:
January 25th, 2010 at 9:45 pm
Rafael, desculpas aceitas.
O que eu quis dizer pro Daniel é que se ele fizesse mestrado e doutorado, perceberia que não existem diferenças entre as instituições. Repetindo trecho do meu comentário, eu disse que no meio acadêmico, nós vivenciamos inúmeras“ experiências nas relações que são estabelecidas no referido ambiente que podem ser pensadas a partir das leituras que fazemos.” Isso quer dizer que podemos refletir as nossas realidades a partir das leituras realizadas. A partir daí, pode-se compreender melhor as situações humanas no mundo, como, por exemplo, que as pessoas são iguais em quaisquer instituições. Se vc entendeu o meu pensamento sobre a educação como única via de entendimento das coisas existentes, não devo ter sido clara.
E aceitarei com prazer a sugestão da leitura do livro de Ivan Illich e sugiro também, cuja análise sobre a educação é muito próxima da do Ivan, o maravilhoso livro de Istán Mészáros intitulado “A Educação para além do Capital”.
Compreendo perfeitamente que a educação é, e sempre foi, um instrumento do sistema socioeconômico. Nietzsche, nos “Escritos sobre Educação”, quando questiona o sistema educacional parece estar falando para os nossos tempos. Sugiro também a leitura de um texto de Pablo Gentili – Neoliberalismo e educação: manual do usuário – que pode ser facilmente encontrado na net. Nele, Gentili aponta para os pressupostos neoliberais que envolvem o sistema educacional. Trabalho na UFPI desde 1980 e percebo, de forma clara, as transformações iniciadas com o FHC que, pretendendo privatizar as universidades, criou as fundações de apoio. Essas, permitem, entre outros coisas, a cobrança de cursos de extensão e de outras atividades.
E concordo totalmente com vc quando diz que “São tantos os exemplos de candura, sapiência e vastidão moral de pessoas que nem sequer flutuaram perto das universidades ou levitaram ao redor dos livros ou da instrução acadêmica”. Encontro e aprendo muito com pessoas assim nas assembléias de trabalhadores/as rurais, assessoradas pela CPT. Álias, as discussões nessas assembléias são muito mais politizadas e inteligentes do que as assembléias de professores que acompanho na universidade.
Na Romaria da Terra, ocorrida em Uruçui-PI, há dois anos, fiquei impressionada com o número de jovens agricultores lendo as histórias dos mártires da terra (aqueles que morrem lutando pelos seus direitos, assassinados pelos latifundiários) ou relatórios sobre o trabalho escravo, nas cartolinas fixadas nas paredes do colégio onde acontecia uma das atividades da Romaria. Na UFPI, os jovens são (muito) menos interessados quando são feitas exposições sobre os mais variados temas.
Sobre o lance da corrupção e impureza (rsrsrs) confesso que não entendi a piada. E muitas vezes, demoro pra caramba até cair a ficha. Talvez meu requebrar será pro resto da vida!
Pelo visto, concordamos com mais coisas.
Inté!
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daniel Reply:
January 25th, 2010 at 10:28 pm
As notícias sobre a minha ignorância foram grandemente exageradas :-p
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on Jan 25th, 2010 at 9:55 pm
Daniel
Não, meu irmão, não tô confundindo generalização com estereótipo. E concordo com vc quando diz, a partir do texto citado, que não se pode listar exceções para afirmar algo. Agora, uma coisa é a gente falar dos tipos existentes de laranja; outra, é falar de instituições constituídas por pessoas. Vc generaliza quando afirma que uma instituição é reacionária sendo que no seu interior podemos encontrar pessoas e ações concretas que vão de encontro ao que significa ser reacionário.
E fico impressionada com a sua preocupação com os direitos humanos e mesmo assim ignora o trabalho realizado pelas pastorais sociais não reconhecendo neles nada de bom. Isso quer dizer que vc só consegue ver o mal, dividindo, dessa forma, o mundo entre o bem e o mal; onde o bem é apenas o bem e o mal apenas o mal. Penso que essa realidade é inexistente, meu caro! Nada no mundo é totalmente bom ou totalmente mal.
Inté!
ah! vou desaparecer até março, tá? O prazo de entrega do trabalho de filosofia (final de fevereiro) está, a cada dia, se tornando menor e tenho que mergulhar pra valer na filosofia hegeliana. Imagino que vc vai morrrrer de saudade da colega polêmica e briguenta! Saiba que tb vou ficar com saudades, viu?
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daniel Reply:
January 25th, 2010 at 10:24 pm
A roda gira, e continuamos na mesma: você vê na ICAR mais políticas a favor dos direitos humanos, eu vejo mais contra.
“Nada no mundo é totalmente bom ou totalmente mal”, você diz. Pelas barbas do profeta, Enô: e daí? Eu aqui pensando que tanto estudo de filosofia já tinha te tirado desse relativismo de ensino médio… Ah bom!, nada no mundo é totalmente bom ou mal, então vamos abolir a crítica e classificar os críticos de maniqueístas. As Forças de Defesa de Israel enviaram médicos para o Haiti? Então não diga que elas são uma máquina de matar. O Exército Vermelho ajudou a libertar a Alemanha dos nazistas? Viva o Exército Vermelho!
Vá, mas volte. Viva a filosofia! :-p
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Enoisa Reply:
January 26th, 2010 at 7:19 am
Já voltei…mas rapidinho!! Ortega y Gasset diz que “O homem é o homem e a sua circunstância”. Ele, considerando o ser humano, leva em conta tudo o que o envolve, a começar pelo próprio corpo até o contexto histórico no qual se encontra inserido. Sobre a educação, Ortega diz que ela é um instrumento que possibilita a cada pessoa conscientizar-se de sua circunstância, relacionar-se com ela e superá-la “Se não a salvo, não me salvo eu”. Concluindo, somos, eu e Ortega y Gasset, produto do relativismo do ensino médio. rsrsrs
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daniel Reply:
January 26th, 2010 at 11:33 am
E eu pensando que o relativismo do ensino médio havia se contentado em vulgarizar Thomas Kuhn…
on Feb 4th, 2010 at 2:12 pm
Enoisa
Que os seres humanos, bem como as instituições criadas por eles, são complexos, heterogêneos, e multifacetados, não é mais novidade. Mas como disse o Daniel: e daí? Hitler devia ter lá o seu lado camarada, Stalin devia ter amor pelos filhos, Átila gostava do canto dos pássaros…So fucking what?
Por outro lado não posso deixar de notar, que você, diante da crítica do Daniel, situa a ICAR como mais uma dentre as instituições humanas, o que poderia significar uma admissão bastante positiva. Contudo, eu receio que seja apenas um artifício retórico, usado nas horas de aperto. Explico: a sua Igreja se apresenta como A representante de Deus na Terra. Deus único, Igreja única, certo? Isso é inclusive matéria de fé, doutrinária, não? “Creio em Deus Pai Todo Poderoso…pa-ta-ti-pa-ta-ta…na Santa Igreja Católica….amén”, não é isso que repetem em toda Santa Missa, a Profissão de Fé?
Você, sendo uma católica sincera, certamente comunga desse princípio.
Mas aí, na hora do aperto, dos desmandos, dos, sim, crimes, aí A representante de Deus na Terra vira apenas mais uma falível instituição humana…..
Então tá, a ICAR é apenas mais uma instituição humana, com o quê certamente eu e o Daniel seremos os primeiros a concordar, entretanto aparentemente te escapa, mais uma vez de forma um tanto conveniente, creio, que a ICAR apesar da sua relativa heterogeneidade, lea é fortemente e verticalmente hierarquizada. Há os que mandam e cuja palavra é final, gostem ou não os componentes do auto-denominado (talvezs com bastante propriedade diga-se) “rebanho”.
O que talvez explique porque você com todo esse papo, se esquivou de nos dar a sua opinião (a menos que eu tenha perdido alguma coisa) sobre o posicionamento da sua Igreja com ralação ao PNDH, e com relação ao próprio PNDH em si.
No mais, quanto ao chororô recorrente sobre respeito (-buáááá! Mamãe! O Zequinha disse que a minha opinião é idiota! Uááááá! Não brinco mais!), digo apenas o seguinte. Pessoas devem ser respeitadas, óbviamente. As idéias, e opiniões que elas tem, não. Opiniões e idéias existem para serem debatidas, defendidas, atacadas, torcidas, retorcidas, confirmadas, refutadas, vilipendiadas, e eu não faço a menor idéia do que ‘respeito’ tem a ver com isso. Eu, sinceramente, não preciso que minhas idéias, e opiniões sejam respeitadas. Não por arrogânia, por achá-las tão superiores que seriam imunes a ataques, pelo contrário. Minhas idéias e opiniões só me servem se forem capazes de se sustentar por si sós, pela razão e pela argumentação, como sendo o mais verdadeiras e corretas quanto possível. Do contrário, eu quero me livrar delas o mais rápido possível, não importa o quão queridas elas me sejam. Quem tem opiniões e idéias que precisem ser protegidas por um expesso manto de ‘respeito’, deveria ter o pudor de guardar tais idéias e opiniões para si.
Nada pessoal, just bussiness.
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on Feb 4th, 2010 at 7:18 pm
[...] do Index. Qualquer semelhança entre a guerra católica contra os direitos civis na Inglaterra e no Brasil não é mera coincidência [...]
on Mar 7th, 2010 at 10:46 pm
[...] a diferença. Mas, a partir dessa constatação, como fazemos para não cair na imoralidade e no jogo sujo dos nossos amigos da CNBB? Ou seja, como não deixar o dogma do “direito à vida” congelar [...]
on Mar 19th, 2010 at 12:03 pm
[...] Igreja amoleça em relação a outra proposta, o direito de adoção de crianças por homossexuais? Pouco provável. Assim como ela não amoleceu em suas posturas após a aprovação do acordão Brasil-Vaticano. É [...]