Até agora nenhum dos católicos que comentaram no meu texto sobre as mentiras da Igreja na guerra santa contra os preservativos condenou as mentiras. Em meio à última campanha de desinformação que a Igreja (nas Filipinas) lançou, um bispo disse que a ineficácia dos preservativos é “enorme”. Os fatos dizem o contrário e no post eu brinquei com os números de pedofilia na arquidiocese de Dublin, mostrando que as chances de uma criança ser violentada por lá são maiores do que as de uma camisinha estourar ou vazar durante o ato sexual.
Acredito que, assim como o bispo, os comentaristas sabem dos fatos. Mas senso de manada é isso mesmo. O bispo e a Igreja mentiram? OK. Mas não vamos dar corda pra esses evangélicos ou, pior, pra esses neo-ateus sanguinários. A Igreja mente, mas por um motivo nobre, a saber, levar os jovens a fazer sexo apenas após casados. De resto, culpe o espetacularismo da mídia, diga que ninguém é perfeito, que o mundo é muito mais complexo do que pensamos, culpe o tom agressivo do post, cite a pouca idade do autor.
Eu não tenho nada contra alguém acreditar que um estilo de vida casto é o mais indicado, que o mundo seria um lugar melhor se as pessoas fizessem menos sexo, ou se fizessem sexo apenas quando casadas, ou apenas com membros do sexo oposto. Eu poderia até mesmo conversar por dois minutos com essa pessoa, de repente poderíamos comparar os índices de satisfação das pessoas de países liberais e daquelas de países onde as pregações morais de uma religião predominante têm influência nas legislações de Estado. Mas esconder tal opinião por trás de mentiras, aí não, isso é jogo sujo e, no caso dos preservativos e da Aids em especial, de uma irresponsabilidade enorme.
De que adianta os católicos levarem a vida se enredando em complexas elaborações filosófico-teológicas se, quando uma mentira desavergonhadamente é dita por um membro da Igreja, todos os pensadores aparecem com racionalizações complacentes ou simplesmente calam a boca? Eu daria meu time de botão do Alecrim-RN (coisa rara!) para saber quantos e-mails de intelectuais católicos progressistas a CNBB filipina recebeu nos últimos dias, condenando as mentiras sobre os preservativos. Algo me diz que os bispos filipinos não precisaram fazer um upgrade no servidor.
Uma outra forma de você tirar a dúvida sobre se essa conversa sobre a ineficácia da camisinha serve apenas para esconder a defesa da castidade: imagine que daqui a algumas décadas a ciência consiga elaborar uma vacina contra a Aids, uma vacina simples, acessível e com a mesma eficácia das vacinas contra o sarampo, a rubéola e a caxumba. Ou seja, uma vacina que pode não funcionar em até 5% dos casos. Alguém imagina que os religiosos que hoje mentem sobre os preservativos ficarão calados diante dessa hipotética margem de falha das vacinas contra a Aids?
Alguém imagina que eles perderão tempo alertando o rebanho sobre a “enorme” ineficácia da vacina contra a rubéola? Claro que não. A encrenca será somente com a vacina contra a Aids, uma doença sexualmente transmissível.
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Pra encerrar, o comentário de um leitor do Amálgama que assinou como “Frei Marcos”, e a minha resposta, a partir de alguns pontos que ele levanta.
Comentário:
Bom dia a todos, Paz e Bem !
Está me parecendo que o objetivo principal do post do Daniel, nem é a defesa do uso do preservativo, este é o pano de fundo para atacar a Igreja Católica, seus dogmas, sua moral, etc. É o que deparamos constantemente nas criticas que são feitas , nenhuma delas leva em consideração as vítimas, por exemplo, dos padres pedófilos, o objetivo é induzir a todos a crerem que TODOS os padres são pedófilos, e que a Igreja é a megera da História. Já li protestantes dizerem que a Igreja é a responsável pela epidemia da AIDS na África, mas nunca ouvi nenhum dizer que é a Igreja Católica é a única instituição que mantém os hospitais que cuidam desses pacientes na África, enfrentando enormes dificuldades de toda sorte. Aqui mesmo, na minha Arquidiocese , a Igreja era a única que mantinha uma clínica gratuita para cuidar desses doentes, e que foi fechada por pressão do Ministério da Saúde que quer “prestar ” esse serviço através do SUS, com todas as mazelas dos SUS e com toda a impessoalidade do SUS. E notem bem, a médica responsável pela clínica era uma Norte Americana e protestante. faziam um belo trabalho de acolhida e de conforto, não só aos que desenvolvem as doenças da Síndorme da AIDS, como também de pacientes cancerosos terminais.Não vejo os inimigos da Igreja envolvidos nessas ações humanitárias, mas os vejo sempre atacando a Igreja naquilo que ela prega, que é o que a Bíblia ensina: o sexo é a legítima forma de amor entre o casal e não está ligado de forma alguma apenas ao ato reprodutivo; é o que ensina o Catecismo da Igreja Católica:
“Os atos com os quais os cônjuges se unem íntima e castamente são honestos e dignos. Quando realizados de maneira verdadeiramente humana, testemunham e desenvolvem a mútua doação, pela qual os esposos se enriquecem com o coração alegre e agradecido” (GS 49,2). A sexualidade é fonte de alegria e de prazer”.O sexo entre os cônjuges além de íntimo é casto.
Fora é promíscuo e desvirtuado.
Quem mais faz uso das camisinhas nem são os heterossexuais, a grande maioria são os homossexuais , cujo comportamento sexual é contrário à natureza humana.
A questão também não é uma mera escolha entre usar ou não o preservativo para se livrar da AIDS.
Se fosse assim, a AIDS já teria sido eliminada, visto que todos usam camisinha, não a usam porque a Igreja é contra.
E os que não a usam, não o fazem porque a Igreja condena.
Nem por falta de orientação, porque ai não seria a Igreja a megera, a culpa seria do governo que não consegue convencer as pessoas do que ele acha ser o correto.De uma vez por todas espero que o ilustre Daniel entenda o que realmente o papa disse sore os preservativos na África, e não o que a imprensa interpretou.
Bento XVI disse essas palavras: ” distribuir preservativos não é a resposta para a luta contra o HIV-Aids.”Esta é a resposta mais fácil, a que isenta os governos das responsabilidades sobre a epidemia, abandonando os seus doentes nas portas dos Hospitais católicos na África.
Não estamos buscando respostas fáceis, caro Daniel, a AIDS é uma triste realidade, e quando o papa afirma que distribuir preservativos não é resposta, ele está implicitamente dizendo que > vocês distribuíram milhares de preservativos e a epidemia só aumenta, então, existe algo de muito errado nisto.A Igreja apresenta a sua solução, a abstinência sexual e o sexo dentro do casamento, ela não poderá nunca compactuar com uma política de dar camisinhas ao povo , vendo que isso não resolveu nenhum problema e a AIDS continua .
Vale por último dizer que, a maioria da população da África nem é católica, somos minorias nos países onde ela mais se alastra, portanto os que não usam preservativos, não estão seguindo o conselho do papa, e nem estão usando as camisinhas que o governo distribui. Ou estão usando e elas realmente não fazem efeito.
Um abraço.
Resposta:
É o que deparamos constantemente nas criticas que são feitas, nenhuma delas leva em consideração as vítimas, por exemplo, dos padres pedófilos, o objetivo é induzir a todos a crerem que TODOS os padres são pedófilos, e que a Igreja é a megera da História.
Isso é o senhor quem está dizendo. De minha parte, lamento profundamente pelas crianças, e o lamento deve ser maior ainda porque sabemos que os criminosos são muitas vezes protegidos pela alta hierarquia da Igreja. Pegue como exemplo o próprio caso dos estupradores de Dublin: os sacerdotes envolvidos foram transferidos de paróquias, as autoridades não receberam informações solicitadas, etc. A violência contra as crianças é ainda mais revoltante porque a cúpula da Igreja sempre acha que a Igreja como um todo, coitadinha, é mais vítima do que as crianças violentadas (maldita mídia!).
(…) a Igreja Católica é a única instituição que mantém os hospitais que cuidam desses pacientes na África, enfrentando enormes dificuldades de toda sorte.
Primeiro, é mentira que a Igreja Católica é a única instituição que cuida de pacientes com HIV na África. Só para dar um exemplo, o Chris Hani Baragwanath Hospital, maior da África do Sul e do mundo, atende especialmente pacientes com HIV, e é um hospital do Estado.
E depois, o fato da Igreja manter hospitais não a exime da responsabilidade por espalhar mentiras sobre a “enorme” ineficácia dos preservativos (aliás, eu gostaria de saber: o senhor concorda que a ineficácia seja “enorme”? O senhor concorda com o que a Igreja filipina espalhou?). O senhor me fez lembrar dos oficiais israelenses que, durante o último bombardeio de Gaza, diziam: Vejam como nossas ambulâncias estão socorrendo palestinos feridos. Ao cuidar de pacientes acometidos pelo vírus HIV, a Igreja está apenas amenizando parte do problema que ajudou a criar.
Não vejo os inimigos da Igreja envolvidos nessas ações humanitárias, mas os vejo sempre atacando a Igreja naquilo que ela prega, que é o que a Bíblia ensina: o sexo é a legítima forma de amor entre o casal e não está ligado de forma alguma apenas ao ato reprodutivo; é o que ensina o Catecismo da Igreja Católica (…)
Crer no que a Bíblia ensina (ou melhor, a Bíblia ensina praticamente tudo, você seleciona quais ensinamentos acha mais conveniente seguir) é uma questão pessoal. O senhor tem direito de defender e pregar os dogmas, mas não está autorizado a mentir sobre os preservativos. Uma mentira é sempre uma mentira, e expor as mentiras da Igreja em relação à Aids é uma ação humanitária.
Sexo apenas no casamento? Esse é um estilo de vida, dentre tantos possíveis e existentes; há quem não concorde que ele seja o mais, hã, humano. Há quem quer ter sexo por prazer, somente. Você pode tentar convencer essas pessoas de que isso é contra as leis de Deus, mas se compactuar com mentiras estará sendo cúmplice em um crime contra a humanidade.
A questão também não é uma mera escolha entre usar ou não o preservativo para se livrar da AIDS.
Se fosse assim, a AIDS já teria sido eliminada, visto que todos usam camisinha, não a usam porque a Igreja é contra.
E os que não a usam, não o fazem porque a Igreja condena.
Nem por falta de orientação, porque ai não seria a Igreja a megera, a culpa seria do governo que não consegue convencer as pessoas do que ele acha ser o correto.
O senhor está sendo hipócrita. A questão é que se uma pessoa quiser levar um estilo de vida diferente daquele que a sua igreja prega como ideal, ela tem o direito de ter acesso fácil e de usar preservativos para ver reduzidas a quase zero suas chances de ser contaminada. Se ela vive em uma área, ou em um continente, onde o índice de contaminados é grande, e se nessas áreas você tem várias igrejas pregando 25 horas por dia sobre a “ineficácia” dos preservativos, qualquer pessoa razoável concluirá que bem é o que essas igrejas não estão fazendo. Na menos ruim das hipóteses, as pessoas que escutam tais pregações e aceitam a autoridade dos pregadores pensarão e espalharão que sexo, tanto faz com camisinha ou sem.
O senhor também demonstra hipocrisia quando diz que, se as pessoas não usam camisinha, é culpa inteiramente dos governos, a Igreja não tem nada a ver com isso. Embora qualquer governo tenha seus defeitos, sempre que algum, como o das Filipinas, parte para a educação sexual e para a distribuição de preservativos, a sua Igreja levanta logo uma campanha de desinformação. “Megera” não é um bom adjetivo, mas vou ficar com ele.
Não estamos buscando respostas fáceis, caro Daniel, a AIDS é uma triste realidade, e quando o papa afirma que distribuir preservativos não é resposta, ele está implicitamente dizendo que > vocês distribuíram milhares de preservativos e a epidemia só aumenta, então, existe algo de muito errado nisto.
A Igreja apresenta a sua solução, a abstinência sexual e o sexo dentro do casamento, ela não poderá nunca compactuar com uma política de dar camisinhas ao povo , vendo que isso não resolveu nenhum problema e a AIDS continua.
A Igreja pode apresentar a solução que quiser, mas se ela tem que vir embalada em mentiras, vamos concordar que não deve ser lá grande coisa. O senhor consegue ver o aumento da epidemia como consequência direta da distribuição de preservativos? Não seria porque a distribuição não é ampla o suficiente? Isso me parece óbvio, mas quero saber até onde podem chegar suas dissimulações.
(…) a maioria da população da África nem é católica, somos minorias nos países onde ela mais se alastra, portanto os que não usam preservativos, não estão seguindo o conselho do papa, e nem estão usando as camisinhas que o governo distribui. Ou estão usando e elas realmente não fazem efeito.
É verdade, a África não é majoritariamente católica. A má notícia é que os evangélicos e muçulmanos têm uma política (ou uma não-política) a respeito da Aids idêntica à da Igreja Católica.






Daniel Lopes, Teresina. Edito e escrevo no coletivo 





on Mar 15th, 2010 at 2:11 pm
salve, daniel,
o que me deixa com a pulga atrás da orelha é essa mania, creio que patológica, do deus monoteísta e de seus supostos representantes em querer saber como se comportam os casais na intimidade de seus quartos.
quer sejam católicos, protestantes, judeus ou muçulmanos, esse pessoal só pode é se excitar sexualmente imaginando o “vuco-vuco” das alcovas.
na lata: só pode ser um magote de depravados, né não ou estou exagerando?
abçs
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daniel Reply:
March 15th, 2010 at 2:34 pm
Não todos, claro. Alguns, com certeza. Isso é pura psicologia.
Abs.
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on Mar 16th, 2010 at 4:06 pm
Olá Daniel!!
Mais uma vez os defensores desta dita instituição santa se embanam todos em suas explicações e argumentos. A camisinha pode não ser a cura para a AIDS, mas se não fosse ela, teríamos milhões de pessoas a mais infectadas no mundo. Curar não cura, mas previne com certeza.
É muita cara de pau vir a público se atrever a dizer que a camisinha NÃO FUNCIONA! Esses bispos vivem em outro mundo, só pode….
Abraços!!
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on Mar 18th, 2010 at 9:00 am
Incentivam a promiscuidade,homossexualismo e outras abominações e depois colocam a culpa na Santa Igreja que ensina a castidade,virgindade,é uma comédia esses hipócritas politicamente corretos.Fora ONU,OMS aborteiros!
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daniel Reply:
March 18th, 2010 at 3:25 pm
Amém.
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Bosco Ferreira Reply:
March 19th, 2010 at 11:39 am
Esse Felipe, pelo pelo mau-humor que apresnta, parece que acabou de receber a “santa” hóstia.
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daniel Reply:
March 19th, 2010 at 11:41 am
E mordeu a língua.
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Gato Precambriano Reply:
March 22nd, 2010 at 2:37 pm
Ô Felipe
Não entendi. Homens da Igreja praticam o contrário do que ela prega (definição de hipocrisia), sob a cobertura de seus superiores hierárquicos, que os protegem da Justiça, e a instituição não é imputável? Protegendo homens que cometem crimes nos próprios termos da Igreja?
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on Mar 19th, 2010 at 7:55 pm
Quando será desvendado esse paradoxo de uma Igreja que se manifesta contra o uso de preservativos alegangando ser a favor da vida,e passou anos levando gente para a fogueira?
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on Jul 20th, 2010 at 10:18 am
NÃO SEJAMOS RADICAIS !!!!!! NUNCA !!!!!!
NÃO SEJAMOS RADICAIS !!!!! NUNCA !!!!!!!
Repito a frase acima, pois acredito que muitas vezes não entendemos o sentido dela.
Usar camisinha é pecado, é contra as leis de DEUSl. Óbvio que não.
Ser fiel a apenas uma mulher, homem é contra as leis de DEUS. Óbvio que não. Na verdade, é seguir os mais puros ensinamentos dele.
É verdade que a Igreja não presta. Óbvio que não.
É verdade que alguns padres, bispos, pastores, etc.. não prestam, Isto sim, ou seja, não podemos generalizar, pois nem todos em uma Igreja pregam e praticam os mandamentos, o que não dá o direito de insunuar que toda a Igreja católica é ruim.
Qual é, vamos pensar um pouco, vamos racioínar e não apenas aceitar aquilo que TV transmite.
Chega de aceitar as coisas como certas, chega de generalizar, de radicalizar.
Desculpem pelo desabafo, mas não posso entender que pessoas com um nível de cultura possam generalizar.
Finalmente, sou católico apostólico romano com muito orgulho e aceito as demais religiões com todos os seus acertos.
Chega de separar o povo de DEUS. Devemos apenas separar o joio do trigo.
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