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Dê seu apoio à no-fly zone na Líbia

Está correndo uma petição que deverá ser enviada à ONU antes da reunião do Conselho de Segurança na sexta, pedindo a interdição do espaço aéreo líbio (no-fly zone) para os carniceiros de Kadafi. A intenção é reunir 1 milhão de assinaturas. Com o ritmo frenético de assinaturas por minuto, acho que passa disso. PONHA JUNTO SUA ASSINATURA AGORA MESMO. 726.008 e contando…

* *

Enquanto isso, Kadafi diz que resistirá à uma eventual no-fly zone (claro que resistirá) e que a imposição da mesma demonstraria que o Ocidente quer apenas “roubar” seu petróleo.

Como explica Stephen Walt em seu blog, a produção de petróleo na Líbia está longe de ser vital para os EUA (aliás, argumento de alguns dos “realistas” ocidentais que defendem deixar os líbios com seu inferno particular). Mas, a esta altura do campeonato e depois de já ter feito o que fez, Kadafi sabe muito bem qual é o público externo que resta para se opor mais estridentemente à no-fly zone, e a cantilena necessária para cativá-lo.

8 Comentários on “Dê seu apoio à no-fly zone na Líbia”

  1. #1 Bruno Cava
    on Mar 9th, 2011 at 6:23 pm

    Se uma aeronave líbia decolar, quem vai se arvorar do direito de abatê-la? Se essa aeronave trouxer refugiados? se for uma aeronave civil? se for uma aeronave militar desertando? se for pilotada por militares contrariados que estão errando as bombas de propósito?

  2. #2 daniel
    on Mar 10th, 2011 at 2:29 am

    Oi, Bruno.

    Se a zona for imposta pela ONU, a ONU se arvorará o direito de abater as aeronaves. Se for a OTAN, será a OTAN. Não há aviação líbia transportando refugiados, apenas aviões de outros países estão fazendo isso. A organização responsável pela no-fly zone teria conhecimento desses casos. Kadafi até agora não se movimentou para cuidar de refugiados e, se começar a fazê-lo, não será em caças. Caça líbio voando em direção a agrupamentos da oposição, chumbo nele.

  3. #3 Bruno Cava
    on Mar 10th, 2011 at 10:43 am

    Apesar dos videogames, a dinâmica de uma operação de abate não é simples. Existem várias etapas pra descobrir de qual país é a aeronave, qual é o tipo de aeronave, qual o caráter ofensivo da aeronave. A identificação e intercepção leva tempo, processamento de informação, tomada de decisão. São inúmeras dificuldades operacionais, levando em conta que podem, sim, haver inúmeros vôos civis, vôos de desertores etc.

    Além disso, essa petição pela área de não-voo faz a cama para os interesses dos EUA sobre o petróleo líbio. É o interesse básico que move o estado norte-americano no Oriente Médio, como toda a história dos séculos 20 e 21 demonstra. Ele agora tenta mobilizar a OTAN (ONU dificilmente passaria pelo veto) e tudo que estiver a mão para justificar sua rapina petroleira. A área de não-vôo é o primeiro degrau da escalada.

    Obama não pode agir como John Wayne, porque seria fazer exatamente o que Bush faria, e contra isso foi o movimento que o elegeu. Se ele não montar uma coalizão convincente para rapinar o petróleo líbio, perderá a pouca sustentação política que lhe resta. Minado pela direita e abandonado pela esquerda, Obama terá um final tétrico. Pior que isso, entregará de bandeja os EUA ao Tea Party, cuja única oposição agora vem das ocupações expansivas no Wisconsin.

    Mas o problema mais grave será no impacto sobre a revolução. Os árabes mais nacionalistas não querem intervenção estrangeira; e os mais islâmicos não querem intervenção ocidental. No final, isso fortalecerá os ditadores no poder, incitará o fundamentalismo islâmico (gerado e amamentado pelo fundamentalismo cristão) e embaralhará os movimentos de revolta. Com Tea Party no poder e resistência islâmica, teríamos uma repetição dos anos 2000 nos anos 2010.

  4. #4 daniel
    on Mar 10th, 2011 at 2:06 pm

    A no-fly zone funcionou bem no Iraque dos anos 90. Se, digamos, uma aeronave inglesa vai passar pelo espaço aéreo cheia de refugiados egípcios, ela avisará à OTAN. De fato, não é nada parecido com videogame, onde todos os aviões são inimigos.

    Desertores. Quantos pilotos desertaram até agora? 30? Então vamos deixar o bombardeio de civis e cidades continuar tendo em vista outros 30 possíveis desertores? Por que não desertaram até agora? Então é esse o tipo de gente com quem devemos nos preocupar primeiramente? Gente que deserta apenas se aviões da OTAN estiverem por perto, mas se não houver nenhum se acham livres para encarnarem o John Wayne dos ares? Que escolha de prioridades!

    Se Kadafi tiver sucesso, outros ditadores da região tentarão reprimir as manifestações do mesmo jeito. Se um punhado de islâmicos prefere uma morte de mártir a intervenção, azar deles. A maioria quer a queda de Kadafi de um jeito ou de outro. No-fly zone não é o mesmo que invasão por terra. E todos os revoltosos, incluídos os islâmicos radicais, aceitariam armas com sorriso no rosto. Kadafi tem que cair, senão adeus revolução, na Líbia ou em qualquer outro país cujo ditador resolva usar a força — afinal de contas, se o Ocidente não derrubar os aviões de Kadafi e não armar seus opositores, por que haveria de mudar de tática com um carniceiro de menor calibre?

  5. #5 Bruno Cava
    on Mar 10th, 2011 at 3:23 pm

    É incrível como alguém hoje, tão perto do Iraque, pode cair nesse conto da carochinha de que os americanos são bonzinhos e pretendem livrar um país de ditadores carniceiros.

    Abater aeronaves é complexo e o risco de desastre humanitário, de abater aviões civis, sempre bastante real. Além de que não passa de pretexto para escalar ações para a intervenção “humanitária”.

    Não existe o ocidente, existe um conglomerado de indústrias de petróleo, bélicas e de construção civil, que estavam no poder com Bush e os neocons, sob teorias hegemonistas à Wolfowitz, que tem todo o interesse do universo nos poços petrolíferos da Líbia, na ampliação do poderio norte-americano no Oriente Médio e na derrubada de um ditador incômodo.

    Toda revolução é um braço de ferro, é força contra força, e os líbios tem condições de vencer e devem ser eles a vencer, se querem ser os donos do processo, e parece que querem.

  6. #6 Bruno Cava
    on Mar 10th, 2011 at 3:33 pm

    PS. Entregar armas sim, uma idéia melhor. Mas talvez não para os EUA, que, dentre outros, armaram Saddam e Osama. Certamente na lógica imperial o melhor não é empoderar os locais, mas intervir de cima pra baixo, assumindo o processo de tran$ição.

  7. #7 Bosco
    on Mar 15th, 2011 at 7:49 pm

    Daniel, o Idelber Avelar encerrou o blog dele né? Que notícia mais triste. Será que ele continua a escrever na revista Forum? Daniel, nem pense em fechar o index ou o amálgama, já basta você ter perdido os ótimos arquivos do razbliuto.

  8. #8 daniel
    on Mar 16th, 2011 at 12:13 am

    Pode ficar tranquilo que o Amálgama não acaba tão cedo, Bosco :-)

    E em breve, não conta pra ninguém ainda, publicaremos um post-homenagem ao Idelber.

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