Marilynne Robinson, escritora estadunidense, é a mais nova crítica do “novo ateísmo“. Seu livro Absence of mind está resenhado no Washington Post:
Em particular, diz Robinson, esses “paracientistas” deliberadamente menosprezam “a riqueza da compreensão da natureza humana que poderia advir ao se atentar para o registro do que a humanidade produziu.” No mínimo, “um pesquisador honesto” da natureza da religião “teria que passar uma tarde ouvindo Bach ou Palestrina, lendo Sófocles ou o Livro de Jó.” Ela sustenta que não somos simplesmente o instrumento de genes egoístas. De fato, ela suspeita que o “mal-estar moderno”, nossa sensação de vazio e alienação, pode ser atribuído não à “morte de Deus”, mas, pelo contrário, ao ponto de vista amplamente difundido e reducionista do eu como totalmente biológico.
PZ Myers, que é biólogo, comenta:
Cientistas entendem e apreciam arte. Francamente, [Marilynne Robinson] acha que nunca ouvimos Bach, e que tudo que temos a fazer é ouvir o Magnificat e pronto, iremos acreditar em Deus? Nós admiramos e respeitamos as conquistas de nossos colegas seres humanos – pessoas de carne e osso e nervo e energia – e não é surpresa que eles possam criar belezas. Isso não é um argumento contra nós.
Se não somos produtos de nossos genes (e muitas outras influências naturais e materiais, como qualquer biólogo poderá te dizer), então de mais o quê? A doutora Robinson tem algum componente para adicionar, algo além da coisa sobrenatural, mágica, para a qual ela não tem evidência?
E que mal-estar moderno? Não me sinto vazio e alienado, você se sente? Quase todos os ateus que conheço parecem entusiasmados e contentes, com um real senso de otimismo em relação ao futuro. Se são apenas os infelizes enchedores-de-saco-de-Deus que não entendem de ciência que estão se lastimando na névoa desse mal-estar imaginário, não acho que se possa logicamente pôr a culpa de seus problemas psicológicos no desânimo diante das conclusões da biologia.
Claro, Deus está morto. Mas de forma alguma estamos tristes por isso – estamos dançando em seu túmulo. Ver o eu como biológico também é uma forma maravilhosamente libertadora de ver o mundo, já que ela implica que não precisamos depender dos caprichos de fantasmas incomunicáveis para encontrar satisfação na vida.





on Jun 1st, 2010 at 9:56 am
Esse pessoal, que sempre considerou as artes e ciências pecados, agora começam a justificar sua fé por meio de cientistas e artistas que produziram suas obras com certo viés religioso (embora a maioria deles o tenha feito porque era a única maneira de sobreviver da arte e da ciência em suas épocas, sem contar o temor da perseguição).
on Jun 1st, 2010 at 8:39 pm
A criacionista Marina é contra a união civil de pessoas, contra a adoção de filhos por gays e contra o aborto.
http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/06/01/marina-se-diz-nao-favoravel-ao-casamento-gay-e-propoe-plebiscito-sobre-maconha.jhtm
on Jun 3rd, 2010 at 11:26 am
Já perceberam que a maioria dos Defensores do Criancinhonismo são Mulheres? Realmente é Hilário e Lamentável que as criaturas mais Execradas, Humilhadas, Ofendidas e principalmente Mortas em nome da Religião são as que mais a defendam.
Porque querem então estudar e ser alguma coisa? Porque não se recolhem simplesmente em suas casas e continuam procriando obedientemente como Mandam as 3 Maiores Farsas Genocidas- catolicISMO, judaÍSMO e islamISMO , especialmente o islamISMO que recomenda ainda o uso intensivo da Burca, aquela do Afeganistão, não ao dos outros “Países Liberais Ateus” que lhes assegura Direitos e impõe Responsabilidades para convívio pleno em Sociedade.
on Jun 3rd, 2010 at 12:47 pm
Sobre a questão levantada pelo Ateísta Netto, é inegável que são as mulheres que sustentam as religiões. São elas que pagam dízimo, frequentam os cultos, ensinam a seus filhos, participam de vigílias e conferências e servem ao clero. Assim como são maioria absoluta na clientela de hospitais, judiciário e delegacias.
Penso que é parte da psicologia feminina a necessidade de ter um poder protetor, maior que elas. O encantamento pela batina, farda, terno ou jaleco. A autoridade. Obviamente que muitas conseguem vencer isso, mas infelizmente ainda é um problema para elas mesmas, pois sustentam os mesmos poderes que as submetem. O próprio machismo é consequência da educação que as mulheres dão para seus filhos.
on Jun 3rd, 2010 at 6:57 pm
Eu já estou com o saco cheio de tanta gente cismar que alguém é infeliz porque é ateu. Este povo vive a se lamentar, se humilhar, passam o tempo todo resmungando e fofocando, e tem a cara de pau de dizer que os ateus é que sofrem. A resposta do Myers foi ótima.
on Jun 3rd, 2010 at 9:31 pm
É foda.
O Myers foi bem estúpido, e distorceu toda a argumentação da Robinson.
Para mim está claro que ela não está defendendo Deus, nem o teísmo, nem a religião. Está apenas criticando certo fundamentalismo ateu, que, em nome de combater o obscurantismo religioso acaba por cometer outros obscurantismos.
Ela está falando de transcendência, de coisas que escapam à explicação biológica. Que pode estar na experiência artística, assim como na religiosa. São coisas bem diferentes, apesar de análogas. Quem trabalha com ciências humanas (das quais a teologia faz parte – ou também as artes) sabe que nesse campo o conhecimento não se constrói pelas vias positivistas que durante muito tempo se imaginou conterem as ciências de laboratório.
on Jun 3rd, 2010 at 9:33 pm
Só voto na Marina se for para ministra do Meio Ambiente :-p
on Jun 3rd, 2010 at 10:22 pm
André, qual obscurantismo o fundamentalismo ateu comete? Biologia genética? Pesquisas com células-tronco?
Te garanto que o Eu como “totalmente biológico”, como diz a autora, é uma fantasia que só existe na cabeça dos críticos do novo ateísmo e da ciência. Nunca li nada nesse sentido vindo do Dawkins, do E. O. Wilson, do Dennett ou de qualquer outro estudioso. Parece bastante óbvio que somos seres biológicos e sociais.
Agora, até pelo fato de, antes de mais nada, termos que existir e ter uma constituição físico-cerebral para poder interagir com os outros e se desenvolver, negar a importância dos genes, hormônios, estrutura cerebral e outros fatores na constituição do humano… é complicado.
A Robinson põe a culpa do “mal-estar moderno” no “reducionismo”. Bem, o problema de se ancorar o humano no sobrenatural é esse, quando a ciência mostra que você pensa e sente e sonha devido a processos químicos no cérebro, você fica com mal-estar. Eu não fico. Nem o Myers. Fico com mal-estar quando vejo um cristão pregando sobre a “ineficácia” dos preservativos em um continente arrasado pela Aids, o que ele sabe ser uma mentira, mas uma mentira que serve a uma Verdade. Isso sim é obscurantismo, e não teorias e estudos que vão tornar possível que um tataraneto meu que nasça cego venha a enxergar. (Isso é genética pura, algoritmo binário, ciência “reducionista” ao extremo.)
Abs.
on Jun 5th, 2010 at 4:17 pm
Daniel, só discordo do termo fundamentalismo ateu. Isso simplesmente não pode existir, por um motivo simples: fundamentalismo é o ativismo religioso baseado na interpretação literal do livro sagrado da defendida religião. O ateísmo não tem livro sagrado, doutrina ou dogmas (se um ateu disser que a inexistência de deus é um dogma, concordarei com os crentes que dizem que pra ser ateu é preciso acreditar).
Ativismo ateu é mais correto, em minha concepção. Ou ateu praticante (rs).
on Jun 6th, 2010 at 12:10 pm
Usei a expressão na pergunta apenas porque o amigo André lhe fez referência. Aliás, tenho encrenca até mesmo com “novo ateísmo”, pra falar a verdade.
on Jun 11th, 2010 at 4:34 pm
acho que a necessidade de um “poder protetor” pode ser considerada propria da natureza humana e não da mulher especificamente. nem da natureza humana ja que, olha só!, existem ateus.
e, acredite se quiser, até mulheres ateias. como eu.
on Jun 11th, 2010 at 4:35 pm
eu sou ateia mas simplesmente amo as Variações Goldberg de Bach. :S
on Jun 11th, 2010 at 5:58 pm
Obrigado pela visita, Rayssa. Você está absolutamente certa, a busca por um poder protetor (e por agentes conscientes por trás de ocorrências naturais) é comum à natureza humana, e não apenas à feminina.
Abs.