Se o século XXI vai ser o século chinês, é uma questão aberta.
Emir Sader, jornalista e tiranófilo, em “O século XXI será chinês“
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A propósito, há na minha wishlist alguns livros sobre a China e o mundo, livros que vocês me darão antes do final do ano.
– In the jaws of the dragon: America’s fate in the coming era of Chinese hegemony, de Eamonn Fingleton (2008)
– The Beijing Consensus: How China’s authoritarian model will dominate the twenty-first century, de Stefan Halper (2010)
– The Party: The secret world of China’s Communist rulers, de Richard McGregor (2010)
– A contest for supremacy: China, America, and the struggle for mastery in Asia, de Aaron L. Friedberg (2011)





on Jul 23rd, 2011 at 9:17 am
Interessante a lista.
Mas eu não acredito tanto num século Chinês não. Primeiro que eu não acho que os EUA tenham uma elite tão invertebrada assim. Chega uma hora que os EUA vão ter que fazer alguns ajustes em seu endividamento público, (parece que está começando) e a China vai ter que sair da zona de conforto estratégica em que está há umas 3 décadas. Não dá pra esquecer que a China ainda é pouco mais que uma “zona franca de Manaus” para produtos e tecnologias norte-americanas.
A Europa continua protagonista, e o Brasil faz um importante meio-de-campo nesse negócio todo.
Tem uma coisa que faz toda diferença: os EUA assumiram a liderança na hora em que conseguiram se tornar um modelo. Tipo “todos querem ser americanos”. Do mesmo modo que já houve um “todos querem ser europeus”. Alguém vislumbra um “todos querem ser chineses”?
Não rola.
on Jul 23rd, 2011 at 12:46 pm
Bem observado. Basta ver a reação chinesa à primavera árabe: prisão preventiva de ativistas e censura às notícias.
Agora, uma coisa que, pelo que li nas resenhas, transparece desses livros que listei (e do ‘When China rules the world’, do Martin Jacques, que já li), é interessante notar: o “modelo chinês”, ditadura + capitalismo de estado, é atraente para elites econômicas e intelectuais do mundo em desenvolvimento na proporção em que o modelo de democracia liberal entra em crise (que pode ser passageira como outras, mas que, a cada oportunidade, os ideomaníacos encaram como a derradeira). E eu não sei se os fundamentalistas de mercado nos EUA têm noção do perigo que isso representa. A esquerda brasileira e europeia no poder está fazendo mais bem ao capitalismo e à democracia do que os republicanos estadunidenses, mas o Brasil e a Europa (e a Índia, e o Japão) não têm disposição ou meios militares o suficiente para fazer pressão política em países que estejam pensando em mandar a democracia às favas.
Quem viver, verá.
on Jul 23rd, 2011 at 1:56 pm
Se quisermos usar o bom, velho e surrado marxismo, as mudanças nas estruturas econômicas fazem caducar os sistemas políticos. A China vai ser sacudida nos próximos anos pela ascenção das classes médias urbanas, e vai ser difícil manter o autoritarismo aplicado num país de maioria camponesa analfabeta.
Por outro lado, nunca percebi que os EUA tenham sido, em algum momento, um país interessado em fazer pressão pró-democracia. Exceto certo teatrinho que fizeram durante a Guerra Fria. Mas nunca tiveram escrúpulos em apoiar ditaduras que lhe fossem favoráveis.
on Jul 23rd, 2011 at 3:52 pm
Quanto à China, Deus te ouça.
Quanto aos EUA… ih, rapaz. Sim, apoiam ditaduras. Principalmente os diplomatas da escola “realista”, que, por eles, estariam até hoje fazendo negócios com Saddam ou com uma de suas crias. Mas a democracia deve muito aos EUA. Foi muito mais que teatro, a começar pela Europa ocidental, que, se não fosse pelas forças armadas estadunidenses, teriam tido que escolher entre se desenvolver ou arrumar força militar suficiente para não virar um quintal soviético. A esquerda europeia adora apontar para o apoio dos EUA a ditaduras petrolíferas, mas nunca diz que, até os anos 70, isso existiu para garantir petróleo barato para a Europa e diminuir o poder de propaganda da extrema-esquerda. Sem dúvida, nos dias de hoje o país devia estar mais ativo no auxílio à derrubada de ditadores, mas por enquanto o público e a economia doméstica cansaram. Assunto pra outros posts.
on Jul 23rd, 2011 at 9:41 pm
Comentário novo invés de resposta, para não bagunçar tanto.
Dá muitos posts, é verdade.
Mas existe o outro lado da moeda: social-democracia e wellfare state existiram no pós-guerra por causa da ameaça soviética. Derrotado o campo socialista, o grande capital ganhou passe livre para explorar trabalhadores e governos, resultados que estão sendo colhidos agora na Europa e nos EUA.
Eu considero que os EUA tiveram um papel fundamental na sustentação da democracia nos anos 1930-1940. De 1950 pra cá acho que eles caminharam rapidamente para perder esse papel. Com algumas oscilações pendulares entre governos “liberais” (para usar o termo deles para o que chamamos de esquerda) cada vez mais tímidos e governos conservadores cada vez mais agressivos.
Entretanto, os EUA tem um papel democratizador muito forte na economia, bem mais que no pensamento político ou na ação de governos. Também acho que não dá para sustentar uma democracia sem um mínimo de produtividade, possibilidade de distribuir conforto à população e existência de classes médias significativas.
Nisso os EUA continuam sendo o exemplo a ser seguido, sem dúvida.