
-- O PC cubano já sabe usar o Photoshop --
Os vazamentos do WikiLeaks são uma mistura de irresponsabilidade, genuínos bons serviços e um tantinho de gratuidade. Exemplos do último são os documentos sobre Cuba publicados no último dia 19. Como o site oficial Cuba Debate reconhece, “as revelações do WikiLeaks não são segredo nem mistério para ninguém”, o que não o impediu de aproveitar a oportunidade para mais uma vez denunciar a oposição e os dissidentes cubanos — que ele põe entre aspas (“oposição” e “dissidentes”), porque como pode haver gente contrária, de verdade, mesmo, sem esperança de ganhos financeiros, a uma coisa tão boa quanto a ideocracia cubana?
O site do PCdoB traduziu o negócio para o português e vários blogs reproduziram e tuiteiros repercutiram. (É por isso que vou perder algum tempo com ele, e não pelo mero fato de ser um panfleto governamental.) O título é bombástico: “Blogueira cubana pediu aos EUA para ter acesso a compras na web“. Espero que vocês tenham sentido o mesmo calafrio que eu. Trechos da chuva no molhado:
Em visita que realizou a Havana, em setembro de 2009, para dialogar sobre o restabelecimento de correspondência direta entre Cuba e os Estados Unidos, a subsecretária de Estado adjunta para a América Latina, Bisa Williams, deve ter se surpreendido com a solicitação que lhe fez a blogueira Yoani Sanchez: levantar a restrição que a impede de fazer compras pela internet. “Sabe quanto mais poderíamos fazer?”, sugere a blogueira à funcionária norte-americana de mais alto nível que visitou Cuba em décadas, aludindo, com o termo “poder fazer”, à “luta” para derrocar o governo de Cuba por meio do acesso livre ao mercado on-line.
Mas como não é provável que a blogueira planeje comprar bombas de hidrogênio pela Amazon, o site pró-status quo só pode estar querendo nos dizer que o regime cubano é tão fraco que tem que ser protegido até da entrada de livros anti-comunistas. Atente para o fato de que a moça está sugerindo a suspensão de restrições do bloqueio estadunidense, a mesma coisa que pede toda a esquerda mundial. Então agora uma parte da esquerda já tem uma nova bandeira: Suspendam o Bloqueio Já, Mas Só Deixem a Yoani Fazer Compras Se For de Livros do Frei Betto.
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Ela lançou seu blog em abril de 2007 e em março recebia o prêmio Ortega y Gasset de Jornalismo – dirigido pelo Grupo Prisa da Espanha, também envolvido por essa época em reuniões contra Cuba organizadas por funcionários norte-americanos, de acordo com WikiLeaks. A blogueira Yoani Sanchez foi, assim, premiada menos de um ano depois de seu primeiro post na internet e sem ter nenhum antecedente como jornalista ou nos círculos literários de Cuba.
Yoani lançou em 2004 com outros dissidentes (“dissidentes”) a revista Consenso (depois Contodos), um veículo que em uma só página tem mais debate e inteligêcia do que todos os discursos de Fidel, Raúl e Chavez arquivados no Cuba Debate. Acho que isso contou um pouco para ela levar o prêmio Ortega y Gasset, não? Além, claro, do complô de grupos estrangeiros “contra Cuba”, ou seja, a favor do povo cubano ter as mesmas liberdades e direitos do resto da América. Quando o site oficial faz referência à ausência de trânsito da blogueira nos círculos jornalista e literário cubanos, ele quer dizer os círculos do gosto do regime.
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Apesar de tudo isso, as revelações de WikiLeaks não são segredo nem mistério para ninguém. Os EUA não escondiam suas preferências por este setor da “oposição” cubana.
A utilização das aspas diz tudo sobre os conservadores. Não há oposição interna em Cuba, entendem? Só mesmo a “oposição” fomentada de fora e com interesses pecuniários.
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A maior partida de fundos públicos que os Estados Unidos destinam a um grupo para promover a mudança de governo em Cuba é enviada aos blogueiros e tuiteiros, com mais de US$5 milhões por ano, de acordo com documentos revelados pelo Senado norte-americano e que qualquer pessoa pode consultar.
É mesmo, é? Os documentos foram revelados pelo Senado estadunidense e podem ser consultados por qualquer um? Esse é o tipo de regime que não queremos em Cuba, jamais! De qualquer forma, os reacionários devem ter saudades dos tempos em que os EUA patrocinavam grupos terroristas; era bem melhor, para efeito de propaganda. Denunciando ajuda financeira a blogueiros e tuiteiros, eles ficam meio patetas. E já o trabalho de defesa do regime cubano nas Américas, como se sabe, é totalmente voluntário.
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Em outro despacho divulgado no domingo, dia 19, proveniente dos vazamentos de WikiLeaks, datado de 27 de novembro de 2006, o ex-chefe do Escritório de Interesses dos Estados Unidos em Havana, Michel E. Parmly, descreve uma reunião de funcionários dessa sede diplomática com “jovens ativistas pela democracia”, realizada “no quintal da residência de um diplomata norte-americano em Havana”.
Nossa! Isso é mais sinistro do que uma reunião das FARC, fala a verdade.





on Dec 25th, 2010 at 7:06 pm
Yoani Sánchez foi considerada pela revista Time como uma das “100 pessoas mais influentes de 2008”, já que, “debaixo do nariz de um regime que nunca tolerou a dissensão, Sánchez exerce um direito não garantido aos jornalistas que trabalham com o papel: a liberdade de expressão”
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quem se vende sempre recebe menos do que vale, d yoani.